Parte Bruno
Eu sei que fiz muita merda desde que me envolvi novamente com a Victoria, desde que ela voltou a minha vida, parece que tudo desmoronou.
Eu tinha ido ver a Kety, para conversar sobre as minhas duvidas entre as duas, mas acabamos nos pegando no carro como sempre, e... Bem, eu nunca vou me esquecer daquele dia.
Eu fiquei muito mal, e passei dias sem dormir sentindo a falta da Clara, e me culpando por tudo o que aconteceu, acho que a culpa, ainda era um preço muito baixo pelo o que aconteceu, mas eu tentei ser somente dela, isso nem eu, e nem ela podemos negar.
Mesmo com tudo isso, uma das coisas que me deixou mais arrasado, e culpado por toda esta merda que aconteceu, foi o fato de ter feito papel de otário. Mais uma vez.
Flashbeck on*
Quatro meses depois de termos nos separado, ela estava se levantando, descobri que estava fazendo alguns trabalho de modelo, e eu fiquei surpreso, de verdade, ela era tão insegura quanto a si mesma, e agora estava trabalhando como modelo. E ela estava linda, diga-se de passagem.
Enfim, depois de quatro meses, como eu disse, eu fiquei sabendo que ela estava gravida, de um filho meu. Eu seria pai de uma menina, e isso me deixou muito feliz, mas ao mesmo tempo acabado, por que ela iria permanecer afastada de mim, e consecutivamente eu ficaria longe dela, e da minha filha.
Depois que a Clara foi embora, quando veio me contar da gravidez, eu passei mais uns dois dias mal, eu estava triste por não poder aproveitar a sua gravidez, e o crescimento da minha filha em seu ventre, em não poder ter o contato que eu tanto queria com ela, contato este, que eu sentia muita falta. Mas eu sabia, que depois de tudo o que eu fiz, isso seria o minimo que eu iria ter, o seu desprezo.
Eu estava puto demais com a Victoria, por ter agredido a Clara, ela não tinha aquele direito, primeiro por que ela estava gravida, e segundo por que não temos nada, nos víamos as vezes, e com muito menos frequência do que antes, eu ate a ignorava, e ignorava as suas mensagens e ligações, eu tinha criado nojo, e desprezo por ela. E depois de tudo o que aconteceu, a ultima coisa que eu queria era mais problemas.
Ela insistia muito em me ver, mas eu sempre dava uma desculpa, ou ate mesmo dizia a verdade, que não queria, eu só queria ficar sozinho, ficar na minha, e naquele dia ela apareceu no estúdio, depois de ter levado mais um não, e acabou me fodendo de vez. Maldita, desgraçada. Eu repudio o dia em que ela apareceu na minha vida, pela primeira vez a seis malditos anos atras.
Eu não queria, e não poderia mais ter nenhum tipo de contato com ela, nem mesmo por telefone, ainda mais agora que sei que vou ser pai, a unica coisa que eu mais quero e tentar me redimir com a Clara, e tentar construir uma família com ela, uma família de verdade. E tendo isso em mente, eu decidi que melhor do que por telefone, era falar isso pessoalmente, aproveitando para devolver a sua chave, e por isso decidi ir na sua casa.
Estacionei na sua porta, desci do carro, e andei rapidamente pelo gramado, usando a minha chave para abrir a porta.
Imediatamente fui tomado por um perfume diferente, um perfume que no fundo me era familiar. Respirei fundo, e senti ate os meus ossos se arrepiarem, se e que isso era possível.
Uma temida sena foi recriada na minha cabeça, antes mesmo que eu desse algum passo a frente ,ou atras. Na realidade, eu estava parado na porta, grudado no chão como um dois de paus. Aquela maldita sena passou em minha cabeça, como se eu a estivesse presenciando neste exato momento, ela nos braços dele, daquele desgraçado, traíra, filhos da puta.
-Doug!
Senti uma pontada na cabeça, e o meu sangue começou a correr mais rápido nas minhas veias, e diante da minha lembrança, a unica coisa que eu queria fazer agora, era ir ate la.
Andei a passos firme, mas tentando não fazer barulho, ate me aproximar da porta do seu quarto, de onde eu ouvi a sua voz, a voz quem eu esperei anos para ouvir novamente, e ter a oportunidade de arrebentar a sua cara. Puta que pariu, não acredito que estou passando por isso de novo.
-E ai, conseguiu pegar alguma grana do idiota, ou só esta dando para ele ainda?-eles sorriram. Filhos da puta-
-Relaxa meu bem!... Ate agora ele me deu uns presentinhos, ainda não tirei a grana alta que estou querendo!
-Voçe esta muito devagar, foi mais rápida com o velho de Malibu!-eles eram golpistas, uma dupla de golpistas filhos da puta-
-E claro, estamos falando do Bruno!... Voçe sabe que ele não e tão burro quanto parece, e mesmo separados, tem aquela mulherzinha inútil, que apareceu a alguns dias dizendo que esta gravida dele!... Agora mesmo que ele não me da a minima!
-Voçe e muito lerda isso sim!
-Cala a boca Doug!-senti o meu sangue borbulhar-
-Não tem perigo dele aparecer aqui não e?
-Não, ele esta muito ocupado se lamentando pela vadia prenha!... A minha vontade era de acabar com ela, eu adoraria!
-Ela apareceu em uma péssima hora mesmo!... Seria bom se pudêssemos dar um sumiço nela!
-Quem sabe, se ela perturbar muito, podemos acabar com dois coelhos com uma paulada só, ela e a coisinha que esta carregando!-sorriram. Eles estavam tramando fazer a mal, e a minha filha-
-Eu vou pegar o que eu tanto quero, e nos vamos embora novamente, só eu, e voçe!
-Eu te amo, minha vadia linda!
-Eu também te amo!-sorriram. Chega. Coloquei a mão na maçaneta abrindo a porta, os encarando em seguida-
-Ótimo plano, pena que não vai dar certo!-senti nojo ao vê-los cobertos apenas pelo lençol da cama, onde eu passei algumas noites com ela-
-Bruno!
-CALA A SUA BOCA, SUA VADIA IMPRESTÁVEL!
-FALA BAIXO...
-FALA BAIXO E O CARALHO, SEU DESGRAÇADO!... PENSARAM QUE IAM ME FAZER DE IDIOTA DE NOVO?... DE NOVO?-ela levantou da cama colocando uma roupa qualquer-
-SE ACALMA BRUNO...
-SE VOCÊ DER MAIS UM PASSO, EU PERCO A MINHA COMPOSTURA DE HOMEM, E ARRANCO SANGUE DESTA SUA CARA DE PUTA!
-FALA DIREITO...
Antes mesmo que ele terminasse a frase eu acertei um soco na sua boca, seguida de outros que eu não tinha noção de onde estavam pegando. Me senti meio desnorteado quando levei um soco no rosto, no qual não deu tempo de me esquivar, mas entes de me deixar abater, eu consegui voltar a ter vantagem sobre ele, quando consegui acertar mais um soco no seu queixo., e logo em seguida agarrando no seu pescoço.
Eu não conseguia ver, ou ouvir nada, eu só queria extravasar toda a raiva que estava sentindo, socar a cara dele, por ter contribuído com a minha ruína, já que eu não poderia bater nela. Graças a merda que eles fizeram na minha vida, eu perdi a minha mulher, e agora o crescimento da minha filha, perdi a possibilidade de começar uma família de verdade. Eu tenho culpa em tudo isso, eu sei, mas agora eu só precisava descontar nele.
Eu já estava exausto de tando bater, e apanhar, mas a minha exaustão veio em forma de uma dor aguda na cabeça, e uma escuridão em seguida.
Acordei na cama, sozinho, com uma dor de cabeça, filha da puta. Olhei ao meu redor, e estava tudo escuro, a unica fonte de luz, era a luz da lua que entrava por uma fresta na cortina. Tentei me levantar mas senti uma pontada muito forte na minha cabeça, me fazendo deitar novamente.
O meu rosto doía, a minha boca, e o meu nariz, era o que mais me incomodava, passe a mão no mesmo e vi sangue na minha mão. Olhei para o lado e vi alguns cacos, sem duvidas ela tinha me batido com algo bem pesado, e provavelmente depois de ter desmaiado, ele aproveitou para me bater.
-Desgraçado, filho da puta!-passei a mão no meu rosto, e ardeu muito-... Caralho, a piranha me bateu!
Acendi a luz do abajur, e vi o quarto todo revirado, eles tinham ido embora, sem duvidas.
Mesmo sentindo o quarto rodar um pouco, eu consegui me levantar, para ir embora, já que não tinha mais nada para fazer ali.
Me apoiei na cama para me levantar, e senti alguma coisa sobre a mesma, quando olhei, dei de cara com a minha carteira, revirada, só tinha meus documentos, mais nada, Eles tinham levado o meu celular, o dinheiro que tinha na carteira, e ate as chaves do meu carro. Resumindo, eu fiquei sem dinheiro, e sem carro para voltar para casa.
Se arrependimento matasse, o meu corpo já estava em fase de putrefação.
Andei pela casa a procura do telefone, e quando o encontrei, nem acreditei que ainda estava funcionando.
Disquei para casa, e assim que a Viviem atendeu, eu pedi para falar com o Dre. Contei a ele o que tinha acontecido, por alto, e pedi que ele viesse me buscar o mais rápido possível.
Olhei em um espelho que tinha na sala, e vi o meu rosto bastante machucado, e quando passei a mão um pouco acima da testa, senti um galo alto, e um pouco de sangue, sem duvidas onde a vadia tinha me batido.
A culpa mais uma vez era toda minha, se eu não tivesse dado brecha para aquela piranha ter entrado na minha vida de novo, agora eu estaria feliz, e curtindo a gravidez da Clara.
Clara, ela nunca mais vai me perdoar, e sinceramente, se eu tivesse no lugar dela, eu também não me perdoaria. Eu fui muito cachorro com ela, trai a sua confiança, fui infiel com os seus sentimentos, eu a magoei profundamente. Eu estava cego pela situação, e infelizmente, acordei tarde demais.
Não sei mais quanto tempo fiquei por ali lamentando a minha vida, quando ouvi batidas na porta, e a voz do Dre, chamando pelo meu nome. Abri a porta, e a sua cara de "Eu te avisei" era a unica coisa possível de se ver no momento.
-Eu sei!-baixei a cabeça, e sai de dentro da casa indo para o carro-
-Toma, e melhor cancelar os seus cartões, e dar queixa de furto!-me entregou o seu celular-
-Como eu fui tão idiota?
-Voçe só estava cego, cego pela pessoa errada!
-Ela ja tinha me feito mal uma vez, e eu...
-Voçe a amava Bruno, no final das contas, voçe a amou muito a seis anos atras, mas foi a seis anos!
-Eu cai mais uma vez na sua lábia!
-E melhor irmos ao hospital cuidar deste rosto!
-Não quero!... Eu só quero a Clara, e a minha filha!
-Isso vai ser meio difícil no momento!... De um tempo a ela, um bom tempo!
-Eu me odeio!
-Voçe se sentira assim por um tempo meu amigo, sinto muito!
Seguimos direto para o hospital, onde a policia me encontrou, eu dei queixa do que tinha acontecido no hospital mesmo, já que não precisei ir ate a delegacia.
Eles me perguntaram se eu tinha fotos no minimo dela, eu ate tinha, mas estava no celular, e eles tinham levado também, a minha sorte, e que o Dre tinha uma foto dela no seu celular. A foto era nossa no caso, ele tinha tinha tirado sem querer no estúdio, e acabou esquecendo de apagar, estava um pouco desfocada, mas dava para reconhecer a vadia.
Depois de medicado, eu sai do hospital com alguns curativos, prato cheio para os fotógrafos, mas por milagre divino, a porta do hospital estava vazia.
Duas semanas depois eu fiquei sabendo que ela tinha sido pega tentando sair do pais, e logo abriu a boca o entregando, enfim, eles foram presos, e em breve receberão o que merecem.
E eu? Bem, continuo aqui, me remoendo, por tudo o que aconteceu, sentindo falta das minhas meninas, e sem saber quando, e se eu irei ver a Clara novamente, e o pior de tudo, sem saber se um dia eu conhecerei a minha filha. Seria um duro, e difícil preço a ser pago depois de tudo o que eu fiz. Mas infelizmente, merecido.
Flashbeck off*
Quatro anos haviam se passado desde o ocorrido, e desde que soube que seria pai. O nosso relacionamento, era completamente distante, e frio, falávamos apenas o necessário, no caso, sobre a nossa filha, e muito mal nos víamos.
Com a minha pequena eu falava bem mais, já que ela mesmo pegava o computador mãe, e me ligava, já recebi ligações dela tarde da noite. Ela era uma "espoleta".
Mas o importante, e que nos dávamos muito bem, e ao contrario do que eu imaginei, a Clara cumpriu o que disse, e me permitiu todo o contato com a nossa filha.
Ela passava no minimo dois finais de semana por mês comigo, era pouco, muito pouco na realidade, mas nem sempre as nossas agendas batiam, as vezes ela estava cheia de compromissos, e as vezes eu estava cheio de compromissos, e acabávamos dando um jeito.
Quando ela tinha que viajar era mais difícil, uma vez ela chegou a passar um mês viajando pela Asia a trabalho, e eu quase não vi a minha filha, já que a Luíza cuidava dela, e do Edu, para a Clara.
Por falar no Edu, mesmo tendo acontecido tudo o que aconteceu, ele continua a falar comigo, já tentei arrancar dele onde eles estão morando, mas ele foi irredutível, e eu respeitei. Mas eu tenho quase certeza de que eles estão em NY, tem muitas fotos deles por la, mas eu vou respeitar a sua vontade, e vou me abster em um ficar na minha.
Segundo ele, eu fui a primeira pessoa que ele ligou, depois de ter passado a sua primeira vez com uma garota, ele disse que mesmo depois de tudo, ele ainda confiava mais em mim, do que no próprio pai. Que pelo o que eu fiquei sabendo, ainda estava preso.
Eu estava na correria com os preparativos do proximo CD, e por isso estava enfiado ate o pescoço em composições, e coisas do tipo. Hoje era sexta feira, e eu sabia que amanha bem cedo, a Clara iria trazer a minha filha para ficar comigo, fato este que me fazia acelerar ainda mais os meus afazeres, para conseguir ficar com ela todo o final de semana, e curtir bastante a minha baixinha.
Porem, para a minha surpresa, levei um susto de pular da cadeira, quando ouvi a sua voz se fazer presente no estúdio chamando por mim.
-Papaiiiiiiiiii!
-Meu amor!-abri a porta indo para a ante sala-... Que surpresa princesa do papai!-a peguei no colo-
-Tava com saudade!
-Também estava meu anjinho!
-Ela nem fala com os tios, so com este pai ridículo dela!-Eric reclamou-
-Olha o ciume!-reclamei-
-Tava com saudade titio!-ela sorriu cheia de covinhas para ele. Amor da minha vida-
-Oi tio, também estava com saudades!
Ela o abraçou ternamente. Olhei para o lado, e a Clara estava em uma conversa animada com o Phil, e o Greg.
A cada dia que passa, ela esta ainda mais linda, e me matando um pouco mais com a nossa distancia, e com o fato ter que vê-la, e não poder toca-la.
Eu amo a minha filha, ela e tudo pra mim, mas as vezes eu penso que se ela não tivesse vindo ao mundo, o meu sofrimento em relação a Clara seria bem menor, afinal eu não iria precisa vê-la, e ficar neste estado em que me encontro, louco para toca-la, mas tendo que manter apenas no cumprimento formal, como se nunca tivéssemos tido nada. Mas eu não posso reclamar, a minha filha e tudo para mim.
-Ola!-a cumprimentei enquanto a July estava com os tios-
-Oi, tudo bem!-apenas esticou a mão para um aperto, no qual eu correspondi-
-Tudo bem, fizeram uma boa viagem?
-Sim, foi ótima!... Olha, eu sei que vim antes do dia que geralmente venho, mas e que eu tenho um trabalho amanha, e por isso vim hoje, mas se não der para ficar com ela...
-Calma Clara, e claro que eu vou ficar com a minha filha, sem problemas e ate melhor, eu tenho algumas horas a mais com ela!
-Obrigada então!
-Filha, a mamãe já esta indo, o tio Dom esta me esperando la em baixo!
-Já vai?-a encarei-
-Já!... Tenho muitas coisas para resolver ainda!
-Fica mais um pouco mamãe!
-Não posso meu amor, a mamãe tem trabalho, mas voçe vai ficar com o seu pai, não era o que voçe queria?
-Sim!
-Então me da um beijo!-elas se beijaram, e eu sorri ao vê-las juntas, as duas mulheres da minha vida-
-A Presley, perguntou por voçe!
-Vou ligar para ela!... Qualquer coisa já sabe, me liga!
-Tudo bem!-disse e deu as costas-
-Clara, posso falar a sós com voçe?-ela me olhou com impaciência, mas concordou-
-Fala, eu preciso ir!
-Voçe não quer jantar conosco amanha a noite?-fui direto-
-Não vai dar, vou trabalhar!
-Quando voçe terminar...
-Minha filha já estará dormindo!
-Tudo bem!-respirei fundo, era sempre a mesma desculpa-
-Não tenta Bruno, voçe sabe que não vai rolar!
-Poxa Clara, me da só uma chance de te provar que eu mudei?
-Já tivemos Bruno, e voçe jogou no lixo, eu acho que não temos mais o que tentar!... Vamos combinar, estamos bem assim...
-Fale por voçe!... Faz quatro anos que sinto a sua falta...
-Eu não sinto a sua!... Alias, todas as vezes que eu fecho os meus olhos, a primeira coisa que eu vejo, e voçe e aquela mulher...
-Por favor, esquece isso, foi um erro, e eu nunca mais fui falar com a Kety...
-Sinceramente, não me interessa, a sua vida, não me interessa, e o meu contato com voçe, e somente pela nossa filha!... Agora eu realmente preciso ir, ate domingo!-ela deu as costas e simplesmente foi embora-
(...)
Na saída do estúdio, eu a coloquei no banco de trás na cadeirinha, e segui para casa, ela disse que estava cheia de saudades do Ge, e da Viviem. Quando chegamos em casa, ela foi direto procurar o Ge, que quando a viu fez a maior festa.
-Cuidado ge, voçe vai machucar ela!
-Vai não papai!... Saudade garoto!-ela o beijou-... Cade a "vó"?-ela chamava a Viviem, assim desde que a Clara disse que ela seria como uma avó para ela-
-Ela deve estar...
-Estou aqui minha princesinha!-ela apareceu na cozinha-
-Vó!-correu para ela-
-A vó, estava fazendo o seu doce favorito para amanha!
-Brigadeiro?
-Isso, mas voçe veio hoje, esta quente, não pode comer ainda!
-Nem um pouquinho?-perguntou unindo os dedinho-
-Esta quente princesa!
-Não pode meu amor, tem que esperar!-fui ate ela beijando o seu rosto-... Eu vou tomar banho, e já venho ficar com voçe, ta bom?-ela apenas concordou ainda no colo da Viviem-
Subi para o meu quarto na intensão de um banho. Todas as vezes que eu vejo, ou falo com a Clara, me sentia tão mal, me sinto completamente culpado por não estarmos juntos, criando a nossa filha juntos, sendo uma família que ela merece ter, e eu sempre me pergunto, sera que seremos assim para sempre?
Se eu pudesse voltar atras, sem duvidas eu teria feito o possível, e o impossível, para que isso não acontecesse, mas infelizmente eu não tenho como fazer nada.
A unica coisa que realmente aconteceu de mais importante, ao menos para mim nestes 4 anos, foi o nascimento da minha princesa.
Eu trabalhei muito, fiz uma nova turnê, e ganhei muitos prêmios, mas a minha maior conquista foi a minha filha, e eu lembro exatamente do dia em que ela nasceu, eu estava finalizando um show.
Flashback on*
Tinha acabado de cantar a ultima musica do Show que estava fazendo nos estadio dos dodger's, quando sai vi o Ryan com os olhos do tamanho de uma bola de bilhar, eu sorri e perguntei o que tinha acontecido.
-A Luíza ligou para o Greg, e disse que a Clara, entrou em trabalho de parto...
-PRA ONDE ELA FOI?
-Calma, o Greg foi na frente...
-CALMA E OS CAMBAL, E A MINHA FILHA!
-ELA NÃO QUER QUE VOCÊ VÁ!
-PROBLEMA E DELA!... PRIMEIRO A FILHA E MINHA TAMBÉM, E SEGUNDO, SE ELA NÃO QUISESSE QUE EU FOSSE, NÃO TERIA LIGADO PARA AVISAR...
-Foi a Luíza, e para de gritar, não somos surdos, e não e voçe que esta em trabalho de parto!
-Onde, elas estão?
-No hospital central em Los Angeles!
-Vamos embora, agora!
-Voçe não vai se trocar?
-Trocar o que cara, voçe tem noção, a minha filha vai nascer!
Saímos o mais rápido que podíamos do estadio, seguimos eu o Ryan, o Phil, e o Eric, que tentavam me acalmar a todo o momento.
Eu ligava a cada segundo para o Greg, ate que ele atendesse. E quando isso acontecia, ele dizia que ainda não tinha nascido. Alguns minutos depois chegamos no Hospital, e entramos na recepção feito um bando de loucos, a atendente nos olhou, e parecia que estava vendo fantasmas, ela estava quase transparente. Depois do Ryan explicar o que estava acontecendo fomos liberados para entrar.
Encontrei com o Greg, saindo de uma das portas, e corri ate ele que me disse que a Clara, estava em trabalho de parto, dentro do quarto que ele tinha acabado de sair, mas que eu não poderia entrar sem falar com o medico. Por isso ele entrou novamente, falou com o medico, e so ai eu pude entrar.
-Puta que pariu!... A cada minuto que passa eu odeio ainda mais o Bruno!... Desgraçado!-eu arregalei os olhos, a unica coisa que entendi foi o meu nome, por que ela estava falando em português-
-Clara?-me aproximei-
-Ah, não, quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece!
-Não fala assim Clara, eu vim o mais rápido que pude!-segurei em sua mão, mas ela puxou-... Eu so quero te apoiar!
-Vai apoiar a sua AHHHHHHHHHHHHHHHHHHH... CARALHO, EU TINHA ESQUECIDO COMO ESTA PORRA DÓI!
-Calma Clara, esta tudo bem!-a Luíza acariciou os seus cabelos-
-Não Luíza, tem algo errado!... Esta doendo demais!-elas falavam em português-
-O que esta acontecendo?-perguntei a enfermeira-
-Achamos que o bebe não esta completamente encaixado, e por isso que esta demorando tanto...
-E vocês não podem fazer nada para aliviar a dor dela?- ela estava toda suada, e com uma terivel expressão de dor-
-Infelizmente não!
-Eu te odeio Bruno!
-O que eu fiz agora?-a encarei-
-Conviva com a duvidaaaaaaaaa!-saiu como um gemido mais profundo, e segurou em minha mão, acho que por puro reflexo-
-Eu sei que aqui não e hora e nem lugar, mas por favor, vamos deixar aquilo de lado, ao menos um pouco, e vamos nos concentrar no momento, é o momento da nossa filha, pode ser assim?
-Mas que fique claro!-ela segurou na gola da minha blusa me puxando contra si, olhando dentro dos meus olhos-
-Eu sei, voçe me odeia!
-Com todas as minhas forças!
-Mas eu te amo!
-Me poupe do seu amor de papel!-segurou na barra da maca fazendo mais força-
-Aperte a minha mão!
-No momento eu quero apertar outra parte do seu corpo, para voçe nunca mais enfiar em mais ninguém!
-Voçe mesmo se arrependeria depois!
-NUNCA!... PUTA QUE ME PARIUUUUUUUUUUUUU!
Ela falava muitas coisas em português, e alguns xingamentos em inglês, e eu sabia que eram para mim, e apesar de não estar querendo a minha presença na sala, eu permaneci por la.
Depois de mais ou menos uma hora de dor, gritos, e muitos, muitos xingamentos -eu ouvi xingamento que nem sabia que existia- enfim, a nossa filha veio ao mundo, linda, e muito forte.
Sabe a expressão chorar feito criança? Foi exatamente o que aconteceu comigo, quando peguei a minha meninas no colo pela primeira vez.
Flashback off*
Sai do banho com uma toalha na cintura, e fui direto para o closet me trocar, e quando estava saindo do quarto, eu ouvi a sua voz suave vindo do seu quarto.
Eu amava quando a minha filha vinha ficar comigo, era sempre maravilhoso, e enchia a minha casa de vida, exatamente como era, quando a sua mãe estava aqui.
Se a Clara soubesse como sinto a sua falta.
Encostei na porta do seu quarto, e ela estava com a Viviem, enquanto se vestia, provavelmente depois de um banho. Ela me viu, e sorriu abertamente, eu amava o seu sorriso, lembrava o dela, os seus olhos eram meus sem duvidas, na realidade era bem misturada, eu acho.
Nenhum comentário:
Postar um comentário