Parte Bruno
Eu não sabia como agir com a Clara, a Victoria permanecia me procurando, e eu, bom, mesmo tentando manter distancia dela, eu queria ir vê-la, mas não queria por causa da Clara.
Eu amo demais a minha mulher, eu amo a Clara como nunca amei outra, mas a Vitoria desperta o pior, e o melhor de mim. Mas de uma coisa eu sabia, eu não poderia ficar com as duas, a Clara e uma pessoa boa demais para estar passando pelo o que já esta passando.
Hoje era dia dez de outubro, e o meu relacionamento com a Clara estava visivelmente abalado. Ela me tratava normalmente, mas no fundo eu sabia que ela estava magoada comigo, e ela tinha toda e qualquer rosão para isso.
Hoje ela disse que iria na esteticista no final da tarde, e que assim que ela chegasse em casa me ligaria. Eu tinha ido para o estúdio, e passei o dia inteiro por la, acho que no fundo eu estava fugindo da sensação de olhar para ela, e saber que eu estava magoando aquela mulher.
-Ei acorda, esta em marte?-Ryan me tacou uma bola de papel-
-Para seu idiota
!
-Esta de mal humor?... A Clara tem dormido com calça de moletom?
-Talvez depois do que aconteceu naquele dia, ela não esteja mais como antes não e?-Greg me encarou-
-A culpa e sua!-o encarei seriamente-
-Minha?... Pelo o que eu saiba, eu não faltei ao meu próprio jantar de aniversario, dizendo que estava no estúdio, sendo que todos nos sabemos que não e verdade!
-CALA A SUA BOA GREGORY!
-POR QUE ESTA GRITANDO COMIGO?... NÃO AGUENTA A VERDADE BRUNO?
-VOCÊ NÃO TEM O DIREITO DE SE METER NA MINHA VIDA, E DA CLARA...
-DESDE O MOMENTO QUE ELA E A MINHA AMIGA, E EU A AMO, EU TENHO SIM!
-Voçe a ama?-sorri irônico-
-Amo, a eu amo a Clara como uma irma, ela e uma mulher maravilhosa, e não merece passar com voçe o mesmo que passou com o imprestável do ex marido dela!
-Voçe esta traindo a Clara Bruno?-Eric me encarou-
-Eric, não e...... Quer saber, eu não vou dar ouvidos a vocês!
Sai do estúdio batendo a porta, eu não teria como me defender, ou argumentar, eles estavam certos, Infelizmente estavam certos, eu estava traindo a Clara.
Peguei o meu carro e segui sem rumo pelas ruas de Los Angeles. A noite já se fazia presente, estava um pouco frio, e a Clara ainda não tinha me ligado como prometeu, então isso era sinal de que ela ainda não estaria em casa.
Peguei um caminho bem conhecido em direção a minha residencia, e ele passava em frente ao bar onde a Kety trabalhava. A minha amiga, conselheira, e companheira de foda, Kety.
Já fazia muito tempo que não a via, e bem, acho que hoje eu estou precisando de uns conselhos, de uma conversa na realidade, estou muito confuso entre as duas, e sinceramente, estou começando a levantar a hipótese de jogar tudo para o alto, e ficar sem nenhuma das duas, estava a ponto de ficar solteiro novamente, talvez assim eu iria conseguir ter um pouco mais de paz.
Entrei no bar, e depois de estacionar o carro, segui para o balcão, pedi uma dose de Moonshine, estava com saudades de beber este drink, ele e forte, mas e muito bom.
Apreciei a minha amiga se apresentando no palco, e ela estava linda, e sexy como sempre.
Assim que terminou a sua apresentação, elevei a minha bebida a ela em cumprimento, e ela logo veio em minha direção com um lindo sorriso no rosto.
-Se lembrou de mim foi?-Sorriu passando a mão no meu peito-
-E impossível esquecer de voçe!... E que estou com vários problemas, e estou precisando relaxar!
-Hum, Bruno Mars estar solteiro, e precisa de companhia?... Ou a mulher e um porre mesmo?
-Nenhuma das duas opções-disse e ela arqueou a sobrancelha-
Expliquei a ela por alto o que estava acontecendo, e ela me olhava com ar de reprovação. Ate ela? Porra o negocio estava foda para o meu lado mesmo.
-Caralho em Bruno!... De quem voçe gosta mais?
-Droga!
-Voçe ama uma das duas?
-Eu amo a Clara!
-Então o que voçe esta fazendo com a outra?
-A Kety, eu ja te expliquei...
-Sim, mas se voçe continuar assim, ira ficar sozinho para sempre!... Sem nenhuma das duas!... Se bem que eu estou achando que esta tal de Victoria, e oportunista, e cara de pau, ela só quer que voçe volte para ela, por que agora voçe tem dinheiro Bruno!
-Sera?
-E claro que sim, esta na cara!... Ela te deixou cego mesmo!
-É, acho que voçe tem razão!
-E claro que tenho!... Esquece esta mulher, fica com quem voçe ama, e te faz bem!
-Voçe tem rasão, ela pode me deixar de novo a qualquer momento!
-E claro, assim como ela fez no passado!... Ou não, mas acredite, ela não te ama!
-Ai Kety, eu estava completamente cego por ela, eu estava no ponto de não conseguir dizer não para ela!
-Mas agora voçe vai dizer, dar um basta, se não voçe vai perder a Clara!
-Acho que ja perdi!
-Relaxa, acho que não!... Bem, vamos tomar alguma coisa?
-Vamos!-sorri-
-Quando chegar em casa, peça a Clara em casamento!-Sorriu-
-Ainda não!.... Mas eu quero fazer isso sim!... Em breve!
-SABIAAAA!-gargalhou-... Eu sabia que um dia voçe iria se amarrar!
-E, acho que voçe tinha razão mais uma vez!... Eu quero poder pedir a Clara em casamento, ser so dela, e esquecer esta mulher para sempre!
-Eu sempre tenho!
-A Clara e a mulher que eu amo, e o amor da minha vida, e a unica coisa que eu quero agora, e esquecer a Victoria de vez!-sorri aliviado da minha decisão-... Eu nem sei como te agradecer!
-Eu sei o que voçe pode fazer para me agradecer!
-O que?
-Bem que voçe poderia matar a minha saudade não e?... Uma despedida de solteiros antecipada!- ela passou a mão em minha coxa me fazendo sorrir-... Pode ser no seu carro mesmo, eu cheguei a conclusão, que ele bem confortável! -sorrimos-
-Voçe e terrível sabia?-passei a minha mão em sua cintura, e em seu quadril-... Acabou de me dizer que e para eu me casar, e me chama para uma foda em seguida?
-E uma despedida de solteiro!... E eu sei que voçe adora!-esticou a mão para que eu segurasse-
-Vamos!
Terminei a minha bebida em um gole aceitando a sua proposta. Seria a ultima vez, depois disso, eu iria me concertar de vez com a Clara, e lutar para renovar o nosso amor, e que ela me perdoe por tudo.
Seguimos para o estacionamento, desarmei o alarme do meu carro, e ela entrou no banco de trás, e logo em seguida eu já estava la dentro, sentindo as suas mãos passearem em meu corpo desatando os botoes da minha camisa, enquanto a sua boca percorria o meu pescoço. Logo o seu minusculo vestido estava na sua cintura, ela já tinha aberto a minha calça, me masturbando rapidamente, e me fazendo gemer enquanto chupava os seus seios com vontade.
A penetrei com força, enquanto ela rebolava em meu colo com vontade me deixando louco de tesão.
Mas infelizmente, quando fazemos algo muito errado com alguém, como era o meu caso, com a Clara, as coisas nem sempre saiam como queríamos, e era raro a pessoa que faz tal coisa com alguém sair impune.
Senti o meu corpo gelar, e por um segundo tudo ficar escuro, quando a Kety simplesmente parou de rebolar, e fixou o seu olhar para fora do carro.
Parte Clara
Eu tinha saído um pouco mais tarde do que o esperado da esteticista, já que estava bastante cheio. Sabe como e, a idade vai chegando, e preciso me precaver.
Decidi passar no estúdio, mas resolvi ligar antes para não correr o risco de ir ate lá a toa. E quando liguei, fui devidamente informada, de que ele tinha saído do estúdio a alguns minutos, portanto resolvi seguir direto para a casa do Bruno.
No meio do caminho de dentro do taxi, eu vi um carro muito parecido com o dele, eu sabia que existiam vários carros daquele estilo rodando por ai, mas dando uma boa olhada mais detalhada, eu tive certeza de que era ele.
Achei estranho quando o vi entrar em um estacionamento privativo, parecia uma espécie de bar ou pub, e como uma ótima escorpiana que sou, e claro, devido aos últimos acontecimentos, eu resolvi parar para um drinque. Ou não.
Adentrei ao ambiente pouco iluminado que cheirava a destilado, e tabaco. Corri os meus olhos pelo lugar, e logo o encontrei escorado no bar, estava olhando fixamente para um mini palco onde uma ruiva de curvas estontantes dançava de forma provocante para os homens, e ao final da sua dança, que foi muito aplaudida por sinal, ele elevou a sua bebida em cumprimento a ela, e logo a ruiva estava falando algo aos sorrisos rente ao seu ouvido, passando a mão em seu peito, na maior intimidade do mundo.
Senti o meu sangue entrar em ebulição dentro das minhas veias, mas eu determinei que não iria interromper, e mesmo me arrependendo depois, eu iria ver até aonde eles iriam.
Depois de alguns minutos, e algumas conversas bem alegrinhas ao pé do ouvidos, e de suas mãos terem passeado em seus corpos livremente, ela deu as mãos a ele, e eles seguiram diretamente para a saída que do estacionamento, onde provavelmente ele tenha entrado.
Segui calmamente por entre as pessoas, passando quase que despercebida, a não ser por um esbarrão, e outro, e um engraçadinho que falou algo que eu fiz questão de ignorar.
Sai no estacionamento alguns segundos depois, me escondi atras de um dos carros, e vi quando ele abriu a porta de trás para ela, logo em seguida entrando também. Eu não poderia acreditar que mais uma vez, eu estava passando por isso, que mais uma vez eu estava servindo de idiota, que estavam me fazendo de idiota. Senti o meu peito apertar, e uma dor uma muito intensa me tomar por inteiro.
Andando por entre os carros, eu me aproximei com cuidado do seu carro, quando eu percebi que eles iriam fazer o que fossem fazer, ali mesmo.
Com cuidado me aproximei do carro, parando de frente para o para brisa, onde eu tinha uma visão, não muito boa do interior, mas dava para ver perfeitamente as suas silhuetas em movimento. Sentindo as lagrimas de dor invadirem os meus olhos ao ver, e saber que estava passando por toda aquela sujeira novamente.
Senti o meu corpo gelar, e congelar diante do que presenciava, não tinha como negar, não tinha como dizer que não, era um fato, ele também não prestava.
Me mantive passiva, e mesmo louca de vontade de desabar em lagrimas, eu me mantive forte, e inexpressível.
Ela foi a primeira a me ver parada olhando toda aquela baixaria, toda aquela palhaçada, e logo os seus olhos acompanharam os dela, e mesmo sem conseguir ver perfeitamente, senti o desespero lhe tomar através dos seus movimentos rápidos em retira-la de sima dele, e se recompor antes de abrir a porta.
-Clara...-sorri batendo palmas enquanto ele fechava a porta do carro-
-Estava ótimo, não precisava ter parado por mim!-disse ironicamente com um sorriso no rosto-
-Eu posso te explicar!
-Pode mesmo?... Voçe tem certeza de que pode me explicar?-o encarei seriamente agora-
-Olha...
-Por favor!-a encarei antes que começasse a falar-... Apesar de tudo, voçe não tem culpa, eu acho!-sorri-... Por tanto, não se meta, para não sobrar para voçe, por que hoje, eu estou de bom humor!-o encarei novamente-... Já voçe!-o olhei com desprezo-
-Amor...
-Cala a boca!... Voçe nunca me amou!
-E claro que sim Clara, eu te amo, muito....
-Eu sou uma idiota de merda...
-Não!
-Eu me despi de todas as maneiras para voçe, voçe retirou cada peça que me escondia, para no final das contas me expor mais uma vez!... Eu sou uma estupida, uma cretina!
-Para Clara!
-VOCÊ ME EXPÔS, VOCÊ CONSEGUIU ME DEIXAR EM SEUS PÉS, ACABOU COMIGO, VOCÊ ME RECONSTRUIU PARA TER O PRAZER DE ME QUEBRAR?... VER COM QUE EU ME QUEBRASSE MAIS UMA VEZ...
-Não, meu amor, me...
-Não!-dei um passo para trás quando ele tentou se aproximar-... Eu tenho nojo de voçe...NOJO DE VOCÊ!... Mas infelizmente eu te amo, eu te amo tanto...-baixei a minha cabeça-
-Eu também meu amor!-deu alguns passos a frente-
-Não chega perto de mim!-praticamente rosnei o olhando com todo o ódio que estava sentindo no momento-... Eu vou fazer questão de matar cada resquício de amor que sinto por voçe, não vou deixar ele me dominar, não vou deixar ele me vencer, não vou deixar ele me cegar a ponto de fingir que nada aconteceu...
-Clara, não faz isso...
-Eu te odeio!
-Voçe me ama!
-Eu me odeio, eu me odeio por te amar, por ainda te amar!... Mas eu tenho orgulho de mim, por te dar as costas, e não te querer mais na minha vida!
-Não faça isso conosco!
-ERRADO!... Voçe fez!... Voçe me jogou neste chão, e esta pisando na minha cabeça neste momento sem do, e nem piedade, voçe sabe de tudo o que passei, sabe como sofri!... E olha só!-sorri irônica olhando ao redor-... Voçe fez a mesma coisa, a unica diferença, e que a sua surra esta sendo no meu ego!
-Clara, só me ouve, por favor!-o encarei-... Eu... Eu sinto muito, a Kety e uma amiga...
-Amiga?... Que lindo, a amizade de vocês e comovente...
-Não seja debochada...
-NÃO SEJA UM MERDA, E ASSUMA A PORRA QUE VOCÊ FEZ... ASSUMA TODA ESTA MERDA, E PARA DE TENTAR SAIR POR SIMA!
-EU NÃO VOU SAIR POR SIMA, POR QUE ERREI COM VOCÊ!
-Eu mereço sofrer mesmo, eu acreditei em voçe, eu achei que voçe iria mudar, que voçe seria diferente, e que voçe gostasse de mim pelo o que sou...
-E eu gosto...
-MENTIRA... Se gostasse, não estaria com outra mulher dentro do seu carro!... Me desculpa, me perdoe, mas eu nunca vou ser o que voçe quer, eu nunca vou ser o que necessita, nunca vou mudar por voçe, ou por qualquer uma pessoa, eu sou assim, eu me amo assim, e nunca vou me tornar uma capa vazia, aspirada, e siliconada por voçe!
-Do que voçe esta falando?
-Eu sei que voçe gosta de mulheres como ela, então, sera o que voçe vai ter, por que eu estou fora!
-Eu te amo como voçe e!
-Eu também te amo, mas não como voçe e!-abri a porta do seu carro-
-O que voçe vai fazer?
-Eu vim de táxi, e vou embora no seu carro!... Voçe que pegue um táxi, ou peça carona a sua "amiga"!
Entrei no mesmo, e dei partida apos pegar a chave que estava no banco do carona. Ele bateu na lataria, e eu abri o vidro. Senti o meu peito quase explodir de raiva quando ele olhou dentro dos meus olhos, e eu sabia que estavam vermelhos, eu deveria estar uma merda, alias, eu estou na merda neste momento. Eu dei tudo de mim a ele, eu me doei por completo, e recebi somente o resto, nada mais do que isso.
-Me perdoa?
-Eu não sou Deus, para não te perdoar, mas eu não quero mais nenhum contato com voçe!
-Não faça isso...
-Eu te amo, eu te amo tanto, eu sou completamente apaixonada por voçe!-sorri-... Vai doer, mas como já disse, eu vou matar cada centímetro de voçe dentro de mim!... Com todo o prazer deste mundo!-fechei o vidro e sai cantando pneu pelo estacionamento-
O caminho ate a casa dele foi dolorido, foi sofrido, mas eu não me permiti chorar, eu não me permiti desabar, mesmo estando em ruínas por dentro, mesmo me sentindo completamente acabada e desgastada.
Me senti flagelada, me senti açoitada pelas costas, fui enganada, me sinto esquartejada, e jogada aos leões neste momento, sentindo a mesma dor, ou ate pior a que senti a um ano atras com o Henrique. Mas assim como eu superei o baque da minha separação de 15 anos, eu suportaria esta também, eu tinha que suportar, eu iria suportar.
Não vim aqui a passeio, e a vida me mostra isso a cada queda, a cada decepção. Ela me mostra que esta me fazendo passar por provações, e e eu sei que esta e só mais uma, e só para saber como enfrentaria, se eu era capaz de aguentar. Pois bem, que venha. A minha cara esta ardendo de tanta porrada, mas a dor vai passar, e eu vou olhar para o alto novamente.
Cheguei na casa dele alguns poucos minutos depois, e fui direto ate o quarto, peguei tudo o que era meu, e coloquei em 4 malas jogando as roupas de qualquer forma la dentro. Desci as escadas com dificuldade, praticamente as jogando degraus abaixo, não estava me importando com nada no momento. Sinceramente o espirito de "sair por sima", tentou bater na minha "porta", mas eu não construí nada com ele para ter o direito de destruir o que era somente dele. A unica coisa que era minha, estava indo comigo. O resto da minha dignidade.
Acho que o barulho das malas caindo escada abaixo alertou os seguranças, e logo o Joseph, e o Dre estavam entrando na sala.
-O que aconteceu Clara?-Dre me perguntou-
-Pode me ajudar a chegar na rua com isso, eu vou chamar um taxi?
-O que esta acontecendo?
-Pergunte ao seu patrão, ou a ruiva que ele estava comendo no banco de trás!
-Merda!-ele resmungo como um "sabia". Peguei duas de minhas malas, e logo ele as tomou de mim>-... Eu levo voçe onde quiser ir!
-Obrigada! -olhei em seus olhos-... Mas não precisa!
-No minimo isso!-ele saiu arrastando as minhas malas se direito a resposta-
Eles estavam terminando de colocar as minhas malas no carro, quando ele adentrou no jardim de sua casa em um carro dirigido por quem? Pela ruiva.Era realmente muita cara de pau!
-Clara, o que voçe esta fazendo?-me questionou ja saindo do carro-
-Alem de traidor, e burro!-murmurei-
-Tire as malas dela deste carro Dre!
-Deixe-as por favor!-ele fechou o porta malas as mantendo dentro do carro-... Voçe não tem o direito de me privar aqui!
-Me perdoa, eu te amo, voçe sabe disso!
-Eu não sei de nada!... E se voçe me amasse, não tinha feito o que fez, e ainda por sima, ter vindo com ela!
-Eu só dei uma carona a ele, já que voçe o deixou a pé...
-CALA ESSA SUA BOCA IMUNDA, SUA PUTA BEIRA DE ESQUINA, VOÇE NÃO SABE DE NADA!... EU DISSE PARA VOCÊ FICAR DE FORA....
-PELO CONTRARIO, EU SEI DE TUDO, ELE ME CONTA TUDO!-olhei para ele assustada. Quem era ele?-
-VOCÊ E UMA VADIA-avancei nela acertando um tapa em seu rosto, e antes que ela conseguisse revidar, ou eu acertar mais, me sentir ser segurada, e afastada dela-
-CHEGA, POR FAVOR!... Quer bater em alguém, bata em mim, mas deixa ela fora disso...
- E VOCÊ AINDA A DEFENDE?... Voçe e um idiota Bruno!... Quer saber, e melhor eu ir embora daqui!
-Não vai embora, vamos conversar!-segurou em meu braço-
-Me solte!... Tira estas mãos imundas de mim!... Eu não te conheço, voçe e um desconhecido para mim no momento!
-E melhor deixa-la Bruno, ela esta nervosa!-Dre o aconselhou-
-Eu preciso de voçe!-ignorou o segurança, e amigo-
-Voçe não precisa de nada, e nem de ninguém!... Relaxa, daqui a pouco voçe se acostuma a estar sem a idiota aqui!... A idiota que te ama de verdade!
-Eu não entendo, por que voçe esta repetindo tanto que me ama, se esta indo embora!
-E para voçe ter certeza do que fez, de que voçe tirou da sua vida alguém que realmente te ama!... E para voçe ter remorso, e para voçe nunca mais esquecer do que me fez, e não fazer com ninguém, o que fizeram com voçe, e o que voçe acabou de fazer comigo!... Voçe esta descontando em mim o que a Victoria, fez com voçe!... E depois que ela voltou, voçe esta inconformado por não te-la novamente!... Vá, e ela que voçe ama!
-Não, eu amo voçe!
-Para de falar isso!... Voçe a voçe, e o que voçe tem entre as pernas!
-Não fala isso...
-Aproveite o espetáculo, me veja sangrar ate a morte diante dos seus olhos, admire o amor que sinto por voçe morrer na sua frente!-dei as costas para entrar no carro, mas parei-... Mas pode deixar, quando eu ressurgir das cinzas, farei questão de que voçe seja um dos primeiros, e ver, e saber!-completei sem olhar para trás-
-Não!-me segurou-... Voçe e minha!-olhou dentro dos meus olhos quando me fez virar para ele-
-ME SOLTA!... VOCÊ ESTA LOUCO!
-Solta ela Bruno!
-Voçe e minha!
-Seu sentimento de posse e ridículo!... Eu não sou nem minha no momento!-o olhei com ódio-... Muito menos sua!
-Clara...
-Larga. A porra. Do. Meu. BRAÇOOOOOO!-pela primeira vez, eu acertei um tapa em seu rosto, e logo em seguida do outro lado de sua face-

Entrei no carro quando me vi livre da sua mão, travei a porta, e vi o Joseph entrar no banco do motorista, em seguida dar a partida, e sair portão a fora. Antes de sair por completo, o vi com as mãos na cabeça, e a tal ruiva indo abraça-lo.
Recostei a cabeça no banco e so ali me permiti chorar, e colocar pra fora tudo o que estava sentindo no momento. Toda a dor, toda a agonia, todo o desespero, decepção, raiva, ódio, rancor, toda a merda que estava acumulada dentro de mim.
As imagens deles transando dentro daquele carro passavam pela minha cabeça a todo instante, fazendo o meu peito doer, uma dor intensa, e cheia de sofrimento.
-Para onde estamos indo Clara?
-Não sei Joseph!-disse com muito custo-... Não faço a menor ideia, pode me largar em qualquer lugar!
-E claro que não!
-Não se incomode comigo!
-Não vou deixa-la sozinha, piorou em qualquer lugar, e de madrugada!
-Obrigada Jo!
-Imagina Clara, e o minimo que posso fazer!
-Então, me leve para o aeroporto!... Quero ir para qual lugar, longe dele, longe toda esta merda!
-Tudo bem!
Segui o resto do caminho com o olhar, e a alma perdida pela janela, era como eu o reflexo na janela do banco de trás daquele carro refletisse nada, absolutamente nada. Eu me sentia vazia, e ao mesmo tempo como um copo a ponto de transbordar, a ponto de se quebrar devido a pressão que estava sentindo no momento dentro do meu peito. Eu só queria gritar, gritar, gritar e muito.
Alguns minutos depois chegamos no aeroporto. O joseph me ajudou com as malas, e disse que ele poderia ir embora, mas ele fez questão de ficar ate que eu tomasse um rumo, ou que decidisse por algo. O seu celular tocava de 5 em 5 minutos, e eu sabia que era ele, já que eu fiz questão de desligar o meu aparelho, alem de que o Joseph, sempre repetia " Ela esta bem na medida do possível!" ou "Não, ela esta sentada com o olhar vago!" ou ate mesmo "Eu não vou sair de perto dela!"
Eu não sabia para onde ir, o que fazer, como fazer, eu só sabia de uma coisa, eu iria dar a volta por sima, iria viver, iria fazer o possível, e o impossível para ser feliz, e para esquecer tudo o que aconteceu, e uma coisa era fato, eu não queria vê-lo mais, eu não queria mais nenhum contato com ele, eu não queria mais nada, absolutamente nada vindo dele.
Parte Bruno
Não sei explicar em palavras o que senti quando a vi nos encarando naquele carro, eu só sei que senti o chão sumir em baixo dos meus próprios pés.
Os seus olhos tristes me encarando, a sua raiva transparecendo a cada segundo, estava me deixando louco.
Quase entrei em panico quando ela foi embora com o meu carro, do jeito que ela estava poderia acontecer algum acidente com ela, isso estava me matando. Fui para calçada atras de um taxi, olhei no celular e era pouco mais de mia noite, era para ter algum circulando, mas para o meu azar, não tinha nada.
Depois de uns quinze minutos, eu decidi entrar de novo, e mesmo correndo o risco de piorar ainda mais a situação, eu fui pedir a Kety, para me levar em casa, era o melhor que eu poderia conseguir agora.
Quando cheguei no patio de casa, senti um nó terrível na garganta, o Joseph estava colocando as malas dela no porta malas. Já sai do carro da Kety, perguntando o que estava acontecendo, eu não poderia acreditar que ela não iria me deixar explicar. Mas na realidade, o que eu iria explicar? Não tinha, ela tinha visto tudo, ela tinha nos flagrado.
Ela estava com tanto ódio, eu nunca a vi daquela forma. Eu não queria que ela fosse embora, não queria solta-la, e como ela disse, eu estava vendo ela sangrar na minha frente, e eu estava sangrando com ela. Mas eu vi que não adiantaria insistir, quando pela primeira vez, ela acertou o meu rosto com força, ela tinha levantado a mão para mim um apenas uma vez, quando a chamei de qualquer, mas agora ela me acertou, e eu acho que mereci. Acho não, tenho certeza.
Elevei as minhas mãos na cabeça quando vi o carro se afastando, senti um desespero terrível quando a vi partir, era como se um pedaço de mim estivesse sendo arrancado.
A Kety se aproximou para me abraçar, mas no momento nem ela iria me ajudar, por isso pedi que ela fosse embora, e agradeci pela carona, mas agora eu só queria ela, mais ninguém.
Fiquei por alguns minutos olhando para o portão, sentindo as lagrimas queimarem os meus lhos enquanto escorriam pelo meu rosto, e esperando acordar deste pesadelo, acordar como se fosse uma alucinação, e notar que tudo isso foi um sonho, ou melhor um pesadelo. Ou no minimo que ela iria voltar, que o carro iria entrar novamente, e ela iria falar que me perdoa.
O mal do ser humano e se enganar, e achar que as coisas vão acontecer exatamente como ele quer, e como prevê. Nada acontece de acordo com o que desejamos, e sim diante de um contexto geral da vida, voçe colhe o que planta, e no momento, eu estou colhendo o que plantei, tristeza e dor.
Eu não sabia que ir falar com a Kety, acabaria assim, mas como já disse varias vezes não tenho bola de cristal, e infelizmente não tenho autoridade para prever o meu futuro.
Quando o frio arrepiou a minha espinha, e as minhas pernas cansaram de ficar de pé, eu notei que ela não voltaria, eu resolvi ligar para o Joseph, perguntar como ela estava, se ela estava com muita raiva, pedi que ele cuidasse dela, e não deixasse ela sozinha um segundo se quer, se acontecesse mais alguma coisa com ela, eu simplesmente surtaria de vez. Na realidade, já estou a ponto disso em pé neste quintal.
Decidi ir para o nosso quarto, só queria tomar um banho, retirar toda esta sujeira, e depois esperar o Joseph, eu precisava saber para onde ela foi, eu precisava falar com ela, esperar que ela se acalmasse, conversar, lhe pedir desculpas, perdão.
Entrei no quarto e a primeira coisa que senti foi o seu perfume, ele invadiu os meus sentidos sem nenhuma cerimonia, me fazendo relembrar de tudo o que aconteceu novamente, como se já não estivesse sofrendo o suficiente.
O quarto estava vazio, mais vazio que o normal, estava sem ela, cada parte desta casa já me fazia lembrar dela, e da falta que sem duvidas ela fara.
Entrei no banheiro, e a primeira coisa que eu vi, foi a sua demonstração de dor em forma de palavras, escrito em batom vermelho no enorme espelho do banheiro.
"A dor e algo difícil de lidar, mas acredite, uma hora ela vai passar. Mas infelizmente, eu não sou movida a somente dor, e apesar dela ir embora, ainda ficará algo que se chama rancor. Rezo neste momento para Deus, apartar de mim este sentimento, pois o rancor e muito pior que a dor, por que a dor mata apenas a mim, mas o rancor mata tudo o que há de voçe, dentro de mim."
-Clara, só eu sei como me arrependo de tudo o que fiz!... Fui um idiota, e mereço passar por tudo isso, mereço ate mais do que isso, e parece que eu terei, afinal voçe não esta mais aqui!-Me olhei no espelho através daquelas palavras em vermelho-... Voçe não me merece!
Tomei um banho lento, e cheio de lembranças e memorias dela em cada centímetro quadrado daquele ambiente, das vezes que fizemos amor neste banheiro, neste quarto, nesta casa.
-Caralho!
Estava no closet escolhendo o que vestir, quando encontrei uma blusa dela, uma das que ela mais gostava de dormir. Peguei a peça, e voltei para o quarto me sentando na cama com a peça nas mãos, e só para o meu desespero, ela também tinha o seu cheiro, e quando a tocava, parecia que estava tocando em sua pele macia.
Me deitei na cama e fechei os olhos com força para não ter que olhar para o lado, e me deparar com a cama vazia, sem a sua presença. Mas infelizmente, ela já tinha se tornado tão necessária para mim, que ate isso eu sentia. A sua presença, o seu cheiro, como se ela tivesse ao meu lado, e isso iria me deixar ainda mais louco.
Decidi sair do quarto, e esperar o Joseph la em baixo. Dobrei a camisa, e a deixei sobre cama. Desci as escadas, e por um tempo fiquei andando de um lado para o outro, ate decidir ligar de novo, e ele me disse que já estava entrando no portão de casa. Quando ele entrou, eu perguntei para onde ela tinha ido, e ele me disse que não tinha a menor ideia.
-Como voçe não tem a menor ideia?... Voçe estava com ela porra!
-Desculpa, mas ela foi super discreta, e me dispensou apos falar ao telefone com alguém, eu não sei quem, e nem para onde ela foi...
-Ficasse, seguisse, sei la, desse um jeito de arrumar!
-Do jeito que ela estava, com raiva, e magoada?... Foi melhor assim, deixa ela no canto dela, e depois vocês conversam...
-Como vamos conversar se eu não tenho a PORRA da ideia, de ONDE ela ESTA!-

Me sentei no sofá me sentindo derrotado, estava doendo, eu estava muito mal, e sinto que infelizmente eu não vou conseguir mais falar com ela por um bom tempo, isso se eu conseguisse falar com ela novamente, pois pelo o que eu conheço dela, eu duvido que ela queira falar, ou me ver novamente.
Senti o mesmo no na minha garganta, era um dor chata, horrível na realidade. E eu sabia o nome desta dor, ela se chamava arrependimento, era isso que eu estava sentindo, se bem que agora seria em vão, afinal eu joguei para o alto o que de melhor tinha conseguido ate agora.
Foi impossível segurar toda a agonia que tomava o meu peito, e foi impossível não me render a dor, quando percebi que ela não estava mais, e provavelmente nunca mais estaria aqui.
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