Parte Clara
Tinha acabado de chegar no hotel, era exatamente 18:55, e eu ainda teria que tomar banho, e me arrumar para ir a casa do Bruno, ja que eu sei que foi ele que inventou aquele bendito jantar, e eu só aceitei por causa da minha filha.
Queria saber por qual motivo ele esta tentando se reaproximar, sendo que eu já tinha dito que eu não o queria mais, que para mim ele era passado, e que eu iria matar cada centímetro dele dentro de mim, por que ele ainda quer me assombrar como uma alma penada, por que?
Sera que ele ainda não esta satisfeito de ter me feito sofrer, de ter me visto no chão, completamente destruída, e transformada em seu tapete?
Me dói tanto saber que eu me entreguei a ele para que ele me remontasse, e no final das contas ele me quebrou novamente, e acredite, a segunda vez que se quebra, dói ainda mais do que a primeira, sangra mais forte, as cicatrizes são maiores, e mais profundas, e eu aprendi isso da pior forma possível.
Passei meses sonhando com eles, passei meses vendo, e revendo aquela sena, passei meses me olhando no espelho e me xingando por ter feito novamente o papel da idiota, por ter me permitido sofrer novamente, por ter deixado a merda do meu coração na frente, depois de uma queda tão alta.
Doeu me ver caindo no mesmo precipício, me ver sem apoio, e morrer um pouco por vez, um dia de cada vez. Mas infelizmente, eu não sei se aprendi a minha lição.
Liguei para ele, e mesmo não precisando, eu dei uma satisfação do meu possível atraso. Preciso assumir que a sua voz ainda me tira do prumo, me faz respirar fundo para não sucumbir a sua voz rouca e sexy, mas eu prometi para mim mesma que faria o possível, e o impossível para não cair mais uma vez na sua lábia, cumpri por quatro anos, e pretendo cumprir pela eternidade. Pretendo.
Me vesti da melhor forma possível, e claro, não foi para mim, foi para relembra-lo do que ele perdeu. Isso é, se ele ainda pensa em mim como antes.
Lamento informar a mim mesma que ainda penso nele, mesmo fugindo todos os dias dos seus olhos, de sua voz, de seu contato, eu fugi, e fujo por quatro anos da sua presença, mas parece que todas as vezes que sou "obrigada" vê-lo uma parte de mim dói em saber que não estou mais ao seu lado, em saber que um dia ele foi o homem que eu mais amei. Eu o amei ate mais do que o Henrique, e ele foi o primeiro na minha vida. E se eu for perguntada se me arrependo de ter amado o Bruno, eu vou dizer que sim, mesmo sabendo que e a maior mentira que eu já contei na minha vida.
Me olhei no espelho conferindo roupa, cabelo, maquiagem, e a claro a minha auto estima.
Eu sabia que esta seria uma noite muito importante para para mim, para nos dois, esta seria a primeira vez em que estaríamos realmente juntos, apenas para conversar coisas bobas, e talvez sem importância, como "amigos" desde que nos separamos.
Peguei a minha bolsa, a chaves do carro do Dom, que pedi emprestado, e segui para a sua casa.
Assim que cheguei, o Dre liberou a minha passagem e eu estacionei bem em frente a entrada da sua casa, parei por uns segundos dentro do carro, e fiquei olhando para o jardim. Aqui me lembrava tantas coisas, uma mistura intensa, uma mistura dolorida, e muito feliz. Vivi bons momentos aqui não posso negar, mas a minha ultima lembrança ainda dói, ainda me fere, e me faz sentir repulsa em estar aqui novamente, mas eu vou respirar fundo, e enfrentar.
Sai do carro, e segui ate a porta, a abrindo em seguida, me deparando com a a sua presença em pé olhando a nossa filha que estava no sofá assistindo algo. Senti perfeitamente quando os seus olhos se perderam em minha direção, não sei explicar como me senti, se tivesse que descrever, sem duvidas não conseguiria colocar em palavras.
Quando a minha filha me viu, ela veio correndo em minha direção, me abraçando forte, e de certa forma reconfortando o meu peito por estar ali novamente.
Ele me elogiou, e eu senti o meu ego dar uma pequena inflada. Ta talvez um pouco mais do que pequena, mas reprimi que um sorriso escapasse, e tentei me manter o mais firme, e fria possível, durante todo o tempo.
-Mamãe me coloca no chão!
-Claro!-a coloquei no chão-
-Quer beber alguma coisa?-ele me encarou-
-O que voçe tem para me oferecer?-disse ele sorriu, virando um pouco o rosto, e ali eu sabia que ele tinha pensado besteira como sempre acontecia antes-
-Voçe não muda!-sorri-
-Nunca!-me encarou-... Mas voçe sim!
-Graças a Deus!... As vezes precisamos mudar!
-Aqui papai!-lhe entregou uma rosa vermelha simplesmente linda-... Esta e da mamãe!-ele pegou, e pareceu um pouco sem jeito? Cade o Bruno extremamente cara de pau que eu conheço?-
-Que linda!-me aproximei deles-... E para mim?-olhei para ele que apenas esticou a rosa-... Obrigada!
-Vem mamãe, vamos ver a vo!
-Claro meu anjo!... Posso deixar a minha bolsa aqui?
-Voçe esta em casa, sempre!
-Não força!-disse mais baixo, e ele não falou nada, apenas desviou os olhos de mim-
Segui com a nossa pequena ate a cozinha, e la encontrei com a Viviem, que estava terminando uma sobremesa, ela disse que era "Tarte tatin". Nada mais do que uma torta de maça, com um nome francês.
-Que bom que apareceu, estava com saudades de voçe!-sorriu ao me abraçar-... Ao menos de te ver assim pessoalmente, já que quase todos os dias eu te vejo!
-Ve?-sorri-
-Sim, voçe sempre esta tão lindas nas capas das revistas!-disse parecendo orgulhosa-
-Obrigada Viviem!
-Imagina querida, sabe que te tenho como uma filha, não e?
-Obrigada minha mãe francesa!
-Não me faça chorar, ainda tenho que colocar o "Entrecôte" no forno!-sorrimos-... Já comeu?
-Sim!... Quando fui fazer um artigo para a VOGUE francesa, eu comi este prato!
-E o preferido da July, ela adora por causa das batatas!-sorrimos-
-Ela e viciada em batatas!
-Ebaaaaaa adoro batatas!
-FILHA!-ouvimos a sua voz a chamando-
-Seu pai filha!
-Ja vou!-saiu correndo-
-Ela esta tão linda!-sorriu-
-Verdade!
-Ela e a mistura mais perfeita de vocês dois!
-Ela e o meu presente!
-Linda esta flor!-sorriu mudando de assunto, e colocando a sua mão sobre a minha-
-Foi o Bruno que me deu!-sorri olhando para a rosa-
-Ele te ama minha filha!-disse e na hora senti os meus olhos arderem-... Ele sofre tanto sem voçe, mesmo falando que não...
-A culpa não foi minha Viviem...
-Eu sei meu anjo!... Ele sabe que e culpado, sabe que te quebrou em mil pedaços, mas eu sei que o desejo dele, e te remontar!... Mais uma vez!
-E se outro ja tenha feito?-ela sorriu-... E se outro homem, já tenha me remontado?
-Sei que não, os seus olhos dizem que não!-fiquei sem ter o que falar-... Ele tem todos os seus livros, ate os que ainda estão em português!-sorriu-
-Serio?
-Sim!... E ele não os guarda com os outros não, guarda no quarto dele, dentro de uma caixa em um dos compartimentos!... Já peguei os lendo, ou simplesmente olhando a sua foto na contra capa!-disse baixinho como uma confidencia-
-Eu so aceitei vir a este jantar pela nossa filha, por que eu não me sinto preparada para estar diante dele!
-Voçe ainda o ama não e?
-Amar e uma palavra muito forte Viviem, mas não posso mentir que ele ainda mexe comigo, eu estaria sendo controversa comigo mesma!... Mas amar, ou ate mesmo a paixão que eu sentia antes, não sei!... Talvez tenha morrido!
-Ela esta dormindo, e eu sei que no primeiro contato, vai reacender!
-Não reacendeu ate hoje...
-Quem sabe hoje?
-Vovó, estou com fome!-entrou na cozinha fazendo bico, com os braços cruzados-
-Ela o Bruno inteira quando faz este bico!-afirmei sorrindo-
-A meu anjinho, a vovó esta terminando o jantar meu amor!-a pegou no colo, e ela deitou a cabeça no seu ombro-
-Estou vendo que tem alguém com sono!-apertei de leve o seu nariz-
-A vó vai terminar o jantar!
-Vamos com a mamãe para a sala!
Saímos da cozinha, e ele estava com um copo de alguma coisa não, mas não precisei me aproximar muito para saber que bebia vodca.
Ele me encarou, e em seguida sorriu cheio de covinhas, me fazendo olhar para qualquer canto da sala, só para não encara-lo. Me sentei no sofá colocando a nossa filha em meu colo.
Preciso assumir, que esta e a primeira vez que entro nesta casa, e permaneço mais de cinco minutos, sem sair como uma louca. No segundo aniversario da July, ele sismou de fazer aqui, eu ate aceitei, mas fiz questão de ficar apenas no jardim, onde estava sendo a festa. Esta casa me trás péssimas recordações.
-Vai beber alguma coisa?
-Já perguntei o que tem para me oferecer, e voçe não disse nada!
-Tenho um vinho que eu comprei especialmente para voçe!-sorriu se virando e indo ate a adega-... A quatro anos atras!
-Nossa!-sorri-... E por que não o bebeu antes?
-Por que era seu!-saiu do meu campo de visão-
Envolvi os meus braços ao redor do corpo da minha pequena, e apertei mais contra o meu. Era uma forma de me sentir acolhida, e parecia que ela sabia disso, ou sempre soube, ja que sempre que fazia isso ela acariciava o meu rosto contra o seu ombro.
-Aqui esta!
-O meu vinho favorito!
-Eu ainda me lembro dos seus gostos!... Alias, ainda me lembro de muita coisa sobre voçe!
Tomei uma taça de vinho que me foi servida por ele, e depois de trocar poucas palavras unica, e exclusivamente sobre a nossa filha, a Viviem nos avisou que o jantar estava servido. Jantamos na paz, paresiamos uma família feliz, e que se amava muito, porem sabíamos que esta não era a mais pura verdade.
Apos o jantar, onde eu tomei mais umas duas taças de vinho, a nossa filha reclamou de sono, e disse que queria dormir. Como eu estava na sua casa, eu preferi me abster de coloca-la na cama, deixando isso para ele, e também, por ele fazer questão.
-Eu já vou indo então!
-Não, por favor, me espera!-me encarou assim que me despedi da nossa filha-... Eu quero falar com voçe!
-Não sei se temos mais o que conversar...
-Temos sim!... Eu só vou coloca-la na cama, e já volto!
-Tudo bem!-observei ele subindo as escadas com ela sonolenta no seu colo-... Bruno Mars, Bruno Mars!... Não tente, por favor, não tente!-falei comigo mesma, antes dele sumir pelas escadas-
Me sentei no sofá novamente, e algo me chamou a atenção. Em sima da lareira eu me deparei com uma foto, mas não era uma fotografia qualquer, era uma foto de nos 4, eu, ele, a July, e o Edu. Estávamos no aniversario de 1 ano da nossa filha, e bem, eu estava na ponta, eles dois no meio, e o Bruno na outra ponta, estávamos muito afastados mesmo, mas eu me lembro como se fosse hoje como estava magoada com ele ainda. Me levantei indo ate o porta retrato, e o peguei, me deparando com o seu sorriso, e mesmo não demonstrando tanta felicidade, ainda parecia tão lindo. O meu sorriso era completamente falso, só eu sei como estava sofrendo, e como estava sendo duro estar ali com ele.
Flashbeck on*
-Vai la tirar uma foto de todos juntos Clara!-Greg falou ao meu ouvido-
-Não quero tirar nenhuma foto com ele!-dei as costas para a mesa onde estavam tirando fotografias-
-Não faça por voçe, ou por ele, faça pela sua filha!... Ela terá alguma recordação dos pais dela futuramente!
-Vamos Clara, so falta voçe!-ouvi a voz da Pres me chamar-
Me virei dando o sorriso mais falso que tinha, e segui para a mesa, ficando do lado oposto a ele, afinal quanto mais longe dele melhor.
Flashbeck off*
Sorri ao me lembrar deste dia. O aniversario dela foi lindo, com o tema de princesa, assim como ela era chamada por ele, na cor rosa, e lilas que são as que ela mais gosta.
De uma coisa eu não posso negar, ele sempre foi um ótimo pai para ela, e sempre fez o melhor pelo Edu, não posso esquecer disso, ja que por varias vezes o Edu, também passou alguns finais de semana com ele, mesmo não tendo nenhuma obrigação,m ele fez questão de receber o meu filho, e acho que e por isso, que o Edu não sente raiva dele.
-MAMÃEEEEEEEEEEEEEEE!-ouvi a minha menina gritar do andar superior-
-OI?
-Dorme comigo?-apareceu no topo da escada-
-O seu pai ja não esta colocando voçe para dormir?-perguntei enquanto subia as escadas-
-Quero dormir com voçe também!-pegou a minha mão me puxando corredor adentro-
-Também?-perguntei ja entrando no quarto dela, me deparando com o Bruno sentado na beira da cama-
-Ela quer voçe hoje!-lamentou-
-Os dois!
-Os dois?-a encarei-
-Sim!
-Não meu anjo!... Olha, a mamãe precisa ir...
-Por favor mamãe, por favor!
-Não faça isso filha, a sua mãe...
-Tudo bem!
Segui ate o outro lado da cama, mais uma vez oposto ao seu a deixando no meio. Retirei as sandálias, e me deitei ao seu lado, que já estava usando um pijama de fada, e meias cor de rosa. Uma coisa eu preciso assumir, ele cuidava muito bem dela.
Fiquei de lado, de frente para ela que estava deitada de barriga para sima, e quando elevei o meu olhar, me deparei com os seus olhos castanhos me fulminando, ele estava deitado na mesma posição que eu, portanto estávamos um de frente para o outro, com ela no nosso meio. Neste momento senti um no se formar na minha garganta, me deixando levemente desconfortavel.
-Por que não pode ser assim todos os dias?-ela disse baixinho ao segurar a nossa mão simultaneamente-
-Assim como meu amor?-ele beijou a sua testa-
-Assim, com o meu pai, e a minha mãe, na mesma cama, dormindo comigo, morando na mesma casa!-senti a sua voz ficar triste, e me senti culpada em parte-... Todos os meus amiguinhos onde moro com a mamãe, e aqui, tem os seus papais, e mamães, na mesma casa!-parou meio pensativa-... Talvez, a Carmem, a Britany, o Lucky, mas o pai do Lucky foi morar com papai do céu, mas vocês estão aqui, por que não podem morar juntos?-nos encarou-
-E complicado meu amor!-disse mesmo sem saber o que dizer, eu não poderia dizer que o pai dela tinha sido um filho da puta comigo. Com todo respeito.-
-As vezes os adultos erram meu anjo, e acabamos magoando as pessoas que mais são especiais na nossa vida, e por conta disso acabamos prejudicando pessoinhas maravilhosas como voçe!... Mas o importante, e que nos a amamos, e voçe nos ama, não e?
-Amo, mas queria ter vocês bem juntinhos!-ela juntou as nossas mãos, colocando as dela por sima. senti o meu coração disparar quando senti o calor da sua mão na minha-... Bem juntinhos!-fechou os olhinhos e respirou fundo, permanecendo assim, fazendo o meu coração de mãe desmoronar dentro do meu peito-... Mamãe?
-Oi meu amor!-respondi tentando não transparecer que a minha voz estava embargada-
-Canta aquela musica pra mim dormir?
-Não filha!
-Por favor, mamãe!me olhou com os olhinhos pequenos, e eu respirei fundo-
-O cantor aqui e o seu pai, não eu!
-Por favor, o papai canta todas as noites que durmo aqui!... Hoje quero voçe!
-Ta bom!-olhei para ele que sorriu em um esticar de lábios apena-... Tape os ouvidos, e so ela que gosta de me ouvir cantar!
-Jamais!-disse baixinho, e eu balancei a cabeça negativamente-
Minha cor
Minha flor
Minha cara
Quarta estrela
Letras, três
Uma estrada
Não sei se o mundo é bom
Mas ele ficou melhor
Quando você chegou
E perguntou
Tem lugar pra mim?
Espatódea
Gineceu
Cor de pólen
Sol do dia
Nuvem branca
Sem sardas
Não sei quanto o mundo é bom
Mas ele está melhor
Desde que você chegou
E explicou o mundo pra mim
Eles ficaram no mais completo silencio, enquanto eu cantarolava para ela dormir. Ficamos apenas aproveitando o momento, enquanto eu tentava não ruborizar diante de seus olhos sobre mim, enquanto cantarolava para ela, e mesmo não sendo comum a nos dois, eu cantar, e ser ouvida por ele, estava sendo de certa forma, muito especial.
Não sei se esse mundo está são
Mas pro mundo que eu vim já não era
Meu mundo não teria razão
Se não fosse a Zoé
Espatódea
Gineceu
Cor de pólen
Sol do dia
Nuvem branca
Sem sardas
Não sei quanto o mundo é bom
Mas ele está melhor
Desde que você chegou
E explicou o mundo pra mim
Depois de um tempo, senti a sua mãozinha se soltar da minha, sinalizando que ela tinha dormido. Me soltei da sua mão devagar, me sentando na cama. Me abaixei pegando as minhas sandálias com as mãos, e sai do quarto as pressas, eu não aguentaria ficar nem mais um segundo ali com eles, com ele. Estava sendo muito difícil para mim, mais difícil do que eu imaginei que seria, e eu ainda não estou pronta para suportar isso, e nem sei se um dia estarei.
Desci as escadas o mais rápido que conseguia. Ouvi passos logo atras de mim, e sabia que era ele. Peguei a minha bolsa, e ia em direção a porta quando senti as suas mãos me segurarem com força.
-ME SOLTA!-o encarei-
-O que foi?
-O que foi?... O que foi?... Voçe e sego, ou permanece insensível?... Voçe não viu como a nossa filha sofre com isso?-comecei a lhe desferir alguns tapas pelo seu braço e peito-... E A CULPA E SUA SUA, A PORRA DA CULPA E TODA SUA, TEM DIAS QUE TE ODEIO, EXATAMENTE COMO AGORA, TEM DIAS QUE EU QUERIA NUNCA TER TE CONHECIDO!... Eu te odeio por isso!-ele segurou firme em meus pulsos me puxando contra si, fazendo o meu peito se chocar com o seu-
-Calma, por favor...
-ME SOLTA, PORRA ME SOLTA...
-Calma Clara, por favor!... Eu sei que ela esta sofrendo, mas eu também estou...
-Mentira...
-Eu juro meu amor...
-Não me chama assim...NÃO ME CHAMA ASSIM!... Eu te odeio...
-Voçe me ama, assim como eu te amo!
-CALA A BOCA.... Voçe não sabe mais nada sobre mim!
-Sei que voçe ainda e a minha doce Clara...
-Não sou sua, não se ache, por favor!
-Ta, voçe pode não ser minha, mas eu ainda sou todo seu...
-Eu não quero, pode continuar com a Victoria, ou a sua amiguinha, mas eu não te quero!... Voçe me magoou demais, me humilhou, eu te peguei com outra seu idiota, imbecil!-voltei a estapeá-lo-... Eu te odeio, eu te odeio, e se a nossa filha esta assim, a culpa e unica, e exclusivamente sua!<-he acertei um tapa na face. Definitivamente não e certo se bater na face de alguém, mas na hora do descontrolei, e só de lembrar dos olhinhos tristes da nossa filha, eu me vi cega-
-Isso, coloca pra fora a sua raiva!-disse em meio a sua careta de dor-... Eu sei que voçe esta guardando ela por anos, eu sei que voçe sempre quis descontar em mim, então desconta, mas não minta mais para mim, não minta para voçe!-ele segurou os meus pulsos-
-Bruno, me desculpa, não queria te bater!... Queria, mas não na sua face!-passei a mão onde acertei sentindo o meu peito doer-... Voçe me descontrola, me tira do eixo, voçe sabe o quanto estou magoada com voçe, o quanto te detesto por tudo o que aconteceu?
-Por favor, venha se sentar um pouco, voçe esta tremendo!-me levou ate o sofá-
-Eu quero ir embora, não quero mais ficar perto de voçe...
-Não faça isso, não faça mais isso!... Vamos tentar manter a paz, pela nossa filha!... Precisamos ter uma convivência melhor, somos adultos Clara!-ele me fez sentar, sentando a minha frente em seguida-
-Agora temos que agir como adultos?... Mas voçe agiu como um moleque...
-Eu sei, e eu me arrependo disso, e sei que voçe me odeia por isso, ainda mais agora!-passou a mão no lado em que bati-
-Desculpa por isso!
-Eu mereci!... Com quatro anos de atraso, mas mereci!
-Eu não quero mais conversar com voçe, acho que não temos mais o que falar...
-Voçe pode não ter, mas eu tenho!
-O que voçe tem mais a me falar?... Vai pedir desculpas novamente?
-Não!... Mesmo que voçe não acredite em mim, eu queria dizer que te amo, eu te amo muito, voçe foi, é, e sempre sera a mulher que eu mais amei na vida!... A mulher pela qual eu estive disposto a mudar, e que esteve disposta a ser minha, e a me aceitar como eu sou, ou era no caso!... A mulher que eu perdi, que me arrancou do seu peito, mas que permanece no meu, permanece sendo a mulher da minha vida, mãe da minha filha, dos nossos filhos!-eu estava simplesmente paralisada olhando para ele. Eu estava vendo a verdade exalando em seus olhos, de forma que fez o meu peito ficar do tamanho de uma ervilha dentro do meu peito-
-Para, para por favor, não me mate mais!-me levantei sentindo as lagrimas começarem a cair-... Não acabe ainda mais comigo, não me deixe no chão novamente, eu sei que nada que sai da sua boca e verdadeiro...
-E verdade sim!-senti as suas mãos me virando para si-... Não chora meu amor, voçe não merece chorar, não merece chorar ainda mais por isso!
-Eu te odeio!
-Eu te amo!-segurou em meu rosto novamente-... Eu te amo Maria Clara!
-Eu te odeio Bruno Mars!
-Que saudades dos seus lábios meu amor!-disse ainda com o rosto bem perto do meu-
-Voçe e um abusado!-permaneci de olhos fechados enquanto o sabor dos seus lábios misturado com o vinho se dissipava em minha boca-
-Precisamos conversar civilizadamente!
-Eu não tenho nada para conversar com voçe!-disse de vagar-... Já disse!-só ai consegui começar a abrir os olhos, me deparando com os seus olhos intensos, e úmidos grudados nos meus-
-Olhe ao seu redor meu amor!-me virou de costas para ele segurando os meus braços com firmeza-... O seu corpo saiu desta casa, mas a sua alma, e presença, permanecem no mesmo lugar!
-Voçe permanece aqui meu amor, eu sinto tanto a sua falta!-me virei olhando em seus olhos-... Vamos nos dar uma nova chance?
-Não, não, voçe vai fazer a mesma coisa comigo...
-E claro que não, eu aprendi Clara, estou levando um "murro" por dia, um tapa por dia carregando a culpa de tudo...
-Talvez seja pouco!... Mas não quero mais ter que ficar olhando para o passado, aquilo já passou, e eu virei a pagina, estou seguindo sem voçe, e é assim que pretendo continuar!
-Mas e a nossa filha?
-Não me venha colocar a nossa filha no meio, ela viveu três anos e meio sem nos ter juntos, por que necessitaria agora...
-Por que ela sente a nossa falta!... Voçe foi a primeira a me chamar de insensível, mas e agora, quem esta sendo insensível?
-E claro, te convêm!... Olha Bruno, eu acho que este jantar já deu tudo o que tinha que dar!... Acho que e melhor eu ir embora!... Na realidade, eu já deveria ter ido!
-Voçe esta fugindo...
-De que?-o encarei-
-Eu sei que te fiz muito mal, mas eu sei que voçe ainda me ama, e é por isso que esta fugindo!
-Eu não estou fugindo, mas também não posso negar que te amei, não posso negar que apesar de tudo a nossa historia foi intensa, e que ela ainda me rende muitas noites de recordações!
-Meu amor, eu mudei, e desta vez eu falo serio, nos de uma nova chance, me de uma nova chance?
Senti a sua mão tocar o meu rosto, e apertei ainda mais os meus olhos, para logo em seguida abri-los, e mais uma vez me deparar com os dele. Olhos castanhos profundos, lindos, e neste momento avermelhados, provavelmente como os meus, certamente como os meus. Respirei fundo sentindo cada parte do meu corpo ceder aos seus olhos, ceder a ao seu intenso, e inesquecível olhar.
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