quarta-feira, 15 de abril de 2015

Wretched! cap 49

Parte Bruno

Fazia exatamente 3 dias que eu estava em NY, estava ensaiando como um louco, trabalhando como nunca, enfrentando um frio ingrato para estar bem, e em condições para fazer a minha apresentação no SB. Estava dando tudo de mim para me agradar, agradar os meus fãs, e apresentar um bom trabalho no final das contas.
Estava falando todos os dias com a Clara, estava sentindo muita falta dela, mesmo estando a tão poucos dias longe dela. Eu estava muito apaixonado por ela, e acho que surtaria se ela não voltasse para mim, se ela decidisse por algum motivo ficar por la.
Estava no hotel descansando um pouco, era inicio de noite, exatamente oito horas, e se eu não me engano, entre New York, e Rio de Janeiro, e uma diferença de três horas, já que estamos no horário de verão, então la era exatamente onze da noite. Resolvi ligar para ela, a esta hora ela já deveria estar descansando, ou prestes a dormir, ela disse que era um bom horário para nos falarmos, assim como nos outros dias, já que segundo ela, "ele" já estaria dormindo. Sinceramente esta de ficar tendo que falar com ela em horários estratégicos por causa daquele... Já estava me irritando seriamente.
 Porem algo que não tinha acontecido nos outros dias, aconteceu hoje. Ele atendeu a ligação do Skype dela. Eu tentei ser o mais natural possível para não deixa-la mal, afinal eu não sabia se eles tinham conversado. Ele foi irônico, e deu a entender que eles tinham acabado de transar, disse que estavam vivendo uma nova lua de mel, e porra, eu não sou idiota, ele realmente estava com cara de quem tinha acabado de transar, e ela estava no banho, eu conheço a minha garota, ou acho que conhecia. Ela tinha dito que voltaria para mim, e no final das contas transa com ele?
Ela ficou extremamente sem jeito quando ele virou a câmera do Skype, e eu a vi molhada de banho enrolada na toalha, só eu sei como me senti naquele momento, eu estava muito "puto". Eles começaram a se alterar, ele gritou com ela, e eu não iria admitir isso, mas quando eu pensei em bolar algo para defende-la mesmo estando longe, ela o chamou de "amor", porra "AMOR?", aquilo me deixou com ainda mais raiva, e eu sabia que ela era esperta, inteligente, e saberia se defender, e aquela discussão deles terminaria numa boa, e eu que sairia com cara de idiota.
Decidi desligar a ligação, e deixar correr solto, eu não iria mais ligar para ela, iria esperar ela entrar em contato comigo, e se ela não entrasse em contato, eu iria deixa-la no canto dela, quando ela voltasse sentaríamos e conversaríamos, mas sinceramente, se ela tivesse ficado as boas com aquele idiota, eu prefiro deixa-la de mão, ir cada um para o seu canto, e ficar cada um na sua, mesmo que esta fosse a decisão mais difícil que eu pudesse tomar no momento.

(...)


Babe, é tão fácil perceber
As mudanças entre eu e você
Precisamos libertar essas almas cansadas
Antes que a tristeza mate a nós dois

Eu tentei e tentei fazer você perceber
Te amo mas estou desistindo
Pode ser que não dure, mas eu não sei
Simplesmente não sei

Os dias seguintes foram estranhos, eu não falei com ela um dia se quer, eu já tinha desembarcado no Hawaii para passar o natal com a minha família, e ainda não tinha falado com ela, nem por celular, nem por Skype. Eu pensei em ligar, mas preferi deixar como esta, se ela não me ligou, e por que esta tudo bem entre eles dois, e se é assim que ela quer, "ficar com ele" é assim que sera.


Era noite de natal, e eu estava bebendo o meu... Hum... Não sei, perdi as contas de quantos drinques enquanto olhava sem rumo pela janela do meu antigo quarto. Estava me mantendo firme, mostrando que estava tudo bem, que eu ainda era o bom e velho Bruno, intransponível, e que nada me abalava depois "dela". Mesmo sabendo que a Clara, tinha feito quase a mesma coisa comigo, me deixado por outro cara, assim como "a".. Não gosto de lembrar "dela", mas infelizmente e impossível não me recordar do último natal que passamos juntos, eu, ela, e o meu "amigo". Não quero acabar ainda mais com o meu natal.
Ouvi o meu celular tocar, era um numero estranho, parecia ser de outro pais, eu olhei bem, e o código era 55, se eu não me engano era...

Se você não sabe
Então não tem como se importar
E você aparece
Mas não está lá
Mas eu estou esperando
E você quer continuar
Com medo de que eu te abandone

-Brazil, Clara!

Fiquei parado olhando para o numero do telefone, a tela piscava incessantemente a minha frente, enquanto eu lutava comigo mesmo decidindo se atendia ou não. Ela ficou mais de uma semana sem falar comigo, por que ela quer falar agora? Qual e o motivo dela querer falar comigo? Sera que esta muito chato estar com o maridinho de merda dela, e decidiu ligar para mim? A segunda opção. Deixei o celular tocar, ele se esgoelou, uma, duas, acho que foram umas 6 vezes, e eu fiz questão de deixa-lo trancado no quarto, não estava a fim de falar com ela.

Uma cama ainda morna de lembranças
Pode nos curar temporariamente
Mas esse mal comportamento
Só faz aumentar ainda mais o abismo entre nós

A alguns dias atras, o Greg, disse que ligou para ela, e ela mandou me dizer que estava tudo bem, e se estava tudo bem, esta tudo bem para mim também. Decidi aproveitar a festa, ela estaria de volta no dia 26 de dezembro, poderíamos muito bem conversar pessoalmente. Mas antes de sair do quaro, peguei no celular, e olhei a mensagem que tinha acabado de ser anunciada, e era do mesmo numero.

"Feliz Natal, Querido! Clara!"

Fechei os olhos com força, apertando o aparelho em minhas mãos, quase a ponto de quebra-lo de tanta raiva. Pensei em retornar a ligação, mas achei melhor deixar para conversar quando ela já estivesse aqui, e eu estivesse completamente sóbrio, e não por telefone, quando ela poderia simplesmente desligar na minha cara, e não me deixar falar tudo o que eu queria.
Desci para o andar de baixo onde a festa estava rolando, e tentei me distrair o máximo possível, não queria pensar em nada, só em mim, beber, aproveitar ao máximo das convidadas femininas da festa, e mais nada. Talvez, terminar com uma em minha cama, quem sabe?

Se você não sabe
Então não tem como se importar
E você aparece
Mas não está lá
Mas eu estou esperando
E você quer continuar
Com medo de que eu te abandone

Parte Clara


Olhei para o telefone em minhas mãos, no fundo eu imaginei que ele iria ao menos responder a mensagem, já que não retornou ou atendeu as minhas ligações. Mas não aconteceu nada, absolutamente nada.
Me sentei na cama, já estava arrumada, e faltava pouco mais de dez minutos para a meia noite, e seria 25 de Dezembro. Eu estava arrumada a contra gosto com um vestido simples, era quase como um qualquer de ficar em casa, passei um rímel, e um gloss na boca, não estava a fim nem de ir na sala onde estavam os amigos da Lu, eu não seria uma boa companhia, alias, já fazia dias que eu não era uma boa companhia, nem para mim mesma. E na realidade, o meu rosto ainda estava muito machucado para ficar na frente dos outros.


Apesar de não termos atingido o chão
Isso não significa que ainda não estejamos caindo
Eu quero tanto te dar a mão
Mas você continua relutante em aceitar minha ajuda
É uma pena, espero que você ache outra coisa para culpar
Mas até então, os fatos permanecem


Eu tinha ficado mais de uma semana sem falar com o Bruno, não procurei o Henrique, e a unica pessoa que eu atendi foi o Greg, que alias, foi uma luta convence-lo a não pegar um avião sem escala para o Rio De Janeiro, ele estava a espumando de raiva, a ponto de quebrar a cara do Henrique, e a unica coisa que eu pedi a ele, foi para não contar nada ao Bruno, principalmente por ter me visto toda machucada.
Foi difícil? Foi. Mas acho que ele não contou, ao menos o Bruno, não apareceu, e não me ligou em momento algum.


Todos os dias
A cada palavra inútil que trocamos, nos distanciamos ainda mais
A distância entre nós torna tão difícil continuar
Mas nada dura para sempre, vamos ser honestos babe
Machuca, mas talvez seja a única maneira

Fui dispersa pelos fogos pipocando na minha janela. Meia noite, e eu estou sentada na beira da cama que divido com o meu filho olhando para o tempo, ainda sentindo o meu rosto um pouco dolorido, mas a unica coisa que dói mais do que o meu rosto, e o meu coração. De certa forma me sentia mal em saber que tudo isso tinha acontecido por minha causa, por causa da minha infidelidade, e falta de auto controle.

Todos os dias
A cada palavra inútil que trocamos, nos distanciamos ainda mais
A distância entre nós torna dificil continuar
Mas nada dura para sempre, vamos ser honestos babe
Machuca, mas talvez seja a única maneira

-Hey!... Esta tudo bem?

-Esta sim minha irma!

-Então vem para a sala!

-Não, obrigada, estou bem aqui!

-Tem certeza?

-Tenho!

-Clara?<a encarei>

-Liga para ele!

-Ja liguei!

-E ai?<apenas balancei a cabeça em negação>... Ele não atendeu?

-Não, mas ele esta na casa da família dele no Hawaii, deve estar se divertindo!

-Depois voçe tenta de novo!

-Não sei...

-Poxa Clara, por que voçe não ligou antes para ele?

-Por que eu estava ainda mais machucada, com o rosto fodido, e eu aposto que ele iria querer falar por Skype, e se quisesse falar!... E se ele me visse assim?... Ele poderia sei la, querer vir ate aqui, e as coisas ficarem ainda piores... Não, não, chega Luíza!... Não quero ve-lo em problemas desnecessários por minha causa, eu prefiro preserva-lo

-Voçe quem sabe!

-Eu sei que fiz merda!

-Eu estou aqui, voçe sabe disso!

-Obrigada!<depois de me abraçar, ela saiu em seguida>

Me deitei na cama, e mais uma vez me peguei olhando para o teto sem graça, como sempre nos últimos dias. Fico me perguntando como sera voltar para Los Angeles, como sera daqui em diante.
Alguns minutos depois da minha irma sair do quarto, o Edu, entrou para me desejar feliz natal. Eu não queria que o meu filhote tivesse que ter presenciado todo aquele vexame na própria casa a uma semana atras, mas felizmente agora acabou, estamos bem, estávamos vivendo um dia de cada vez, e ele sem duvidas e o motivo da minha força. Ele se deitou ao meu lado, e depois de um tempo, acabou adormecendo. Fiquei olhando para o meu príncipe, e a unica coisa que eu queria, e pedia por ele, era pedir a Deus, para que ele se tornasse um homem melhor que o seu pai quando crescesse, e que encontrasse uma esposa melhor do que eu, uma esposa que lhe fosse fiel de verdade.
Eu vi a manha de natal chegar, e eu observei boa parte da madrugada passar, não estava com sono, e eu realmente só dormi quando os meus olhos praticamente se fecharam sozinhos.
Acordei por volta das nove da manha, o Edu, ainda estava dormindo ao meu lado, estávamos no quarto da Luíza, praticamente nos apossamos do quarto dela. Me levantei sem fazer barulho para não acordar o meu príncipe que dormia tranquilamente completamente alheio a tudo, e a todos. Peguei o meu celular e vi uma mensagem que tinha chego provavelmente assim que peguei no sono, abri a mesma e era do Greg.

"Feliz natal minha linda, espero que voçe esteja bem, esteja melhor depois de tudo o que aconteceu!... Ainda queria poder ter ido ate ai quebrar a cara daquele filho de uma chocadeira, mas como voçe não deixou, fazer o que?... Estou ansioso para vê-la logo, quero te abraçar, e poder te proteger, não quero que mais ninguém se aproxime de voçe para machuca-la, não quero mais te ver com aquelas marcas, senti como se fossem em mim!... Volta logo, beijos do seu melhor amigo, te amo princesa! Greg"

Reli a mensagens umas dez vezes, e sorri a cada uma delas.

"Feliz natal meu querido!... Estou vivendo um dia de cada vez, e me recuperando aos poucos!... Foi melhor assim, não quero mais problemas, os que ja tenho estão de bom tamanho!... Voçe, e sua mania de superproteção!... Obrigada, esta tudo bem!... Amanha eu embarco no final da tarde, chegarei ai no dia 27 pela manha, foi o melhor que consegui!... Como o Bruno esta?... Espero que ele esteja bem, não falei com ele desde então, mandei uma mensagem ontem depois de ligar algumas vezes, mas ele não me respondeu!... Estou com receio de voltar, mas eu preciso cumprir o meu contrato, e agora ainda mais! Beijos meu amigo! Clara"

Me lembro ate hoje da cara dele quando me viu no Skype dois dias depois, eu estava com o rosto vermelho, completamente marcado, a boca machucada e ate com algumas partes roxas, eu nunca tinha visto ele tão transtornado, ele queria vir imediatamente para o Rio bater no Henrique, mas a pior parte foi convence-lo de não falar nada para o Bruno. Eu não queria que ele achasse que eu tinha apanhado por culpa dele, pelo fato dele ter feito a chamada, e o Henrique, ter atendido, eu não queria que ele se sentisse culpado de alguma forma, e por isso acho que optei pelo pior caminho. A omissão.
E sei que vou me arrepender amargamente por isso, por que eu sei que ele esta com raiva de mim, e o fato de eu não te-lo procurado por tanto tempo, deve te-lo deixado ainda pior.
Olhei mais uma vez no celular, só na esperança dele ter me respondido, mas infelizmente não tinha nada.
Tomei um banho rápido, somente para tirar o suor da noite, já que aqui no Rio o natal e infernal. Coloquei algo mais fresco, e sai do quarto que estava trancada desde a noite passada, quando terminei de ajudar a minha irma com a ceia.
A casa estava um caos, parecia que o furacão "Katrina" tinha passado no meio da sala, tinha ate parte da mobília no chão.

-Nossa, o que eles estavam fazendo aqui?... A terceira guerra mundial?... So pode!

Arrumei o máximo que poderia daquela casa, e enquanto tentava dar um jeito na "zona" eu procurava a minha irma, afinal ela não tinha dormido no quarto dela - já que eu e o Edu, nos apossamos dele', como já disse-. Andei por alguns cômodos da casa, e a encontrei deitada na cama do Edu, ela estava dormindo profundamente, deixe-a dormir, e voltei aos meus afazeres, precisava me ocupar com alguma coisa, precisava deixar a minha cabeça ocupada de coisas produtivas, e que me distraíssem.
Não posso negar, ainda me sentia super culpada pelo o meu termino com o Henrique, mesmo ele tendo me agredido, ele estava com raiva, deve ser horrível ser traído. Eu sei, detesto ficar batendo na mesma tecla, mas e que os rumores dele me trair também, não são de hoje, mas ate agora, não teve nada de concreto, e bem, ate que se provem ao contrario, a culpada foi eu.

O dia passou de maneira bem arrastada, parecia que o relógio estava contra mim, e os minutos estavam se tornando horas. Ainda iria fazer a minha mala, mas isso, eu poderia fazer pela manha. E em relação ao Edu, ir para L.A, eu não sei mais se iria rolar. Primeiro que eu preciso da autorização do pai dele para ir, e depois desta, eu não sei que vai rolar. E segundo, e que foi o Bruno, que o convidou, e eu não sei se a partir de agora, o convite ainda estaria de pé.

(...)

-Tudo pelo meu filho!

Repetia para mim mesma enquanto estacionava em uma das poucas vagas do shopping, ele insistiu que eu, e a tia, o trouxessem na praça de alimentação -unica coisa que abre no dia 25 de dezembro na cidade inteira- para um lanche, e segundo ele, para se despedir de mim, já estaria voltando para L.A, na tarde do dia seguinte.
Tínhamos parado em uma casa de lanches, e tínhamos feito os nossos pedidos, estávamos sentados conversando normalmente, e depois de alguns minutos eu pedi licença para ir ao banheiro, eu precisava ver como estava a maquiagem que eu tinha feito para esconder os hematomas em volta de um dos olhos, e na lateral do rosto -nos dois lados- eu estava bastante machucada, mas não era só a dor externa que estava me incomodando, a interna estava me matando aos poucos.
Estava voltando para o nosso lugar, quando eu olhei para a mesa e só vi a Lu, o Edu, não estava ao seu lado como eu havia deixado, mas reparei que a minha irma estava olhando para um ponto especifico, e ao acompanhar o seu olhar, eu senti o meu corpo gelar. Ele estava falando com o pai, que estava acompanhado de uma mulher morena, e de uma menina que parecia ter mais ou menos uns 6 anos de idade. O Edu, estava gesticulando com o pai, enquanto ele olhava de forma indiferente para o filho. Sem nem mesmo passar pela mesa em que a minha irma estava, eu segui direto para a mesa deles.

-Eduardo, agora não!<ele dizia ríspido com o filho>

-Agora não o que Henrique, ele e o seu filho, o seu problema e comigo não e?<ele me olhou seriamente, e aparentemente assustado>

-Ele e o seu filho, pai?<a menininha perguntou se referindo a ele>


-Pai?<o encarei incrédula>... Espera ai, me deixe entender... <sorri incrédula>

-Laura, filha por favor!... Rebeca, leve-a daqui, me deixe falar com a minha ex mulher!

-Não vou te deixar com esta mulherzinha amor!<sacudi a cabeça tentando entender tudo o que estava acontecendo>

-Amor?... Filha?

-Isso mesmo, ele e o meu marido, e esta e a nossa filha!... Quer saber, eu não aguento mais ter voçe nos incomodando, já que voçe pulou fora a sete anos atras, por que ainda fica perseguindo ele?

-Pulei fora?... Marido?... Sete anos atras?.... Voçe pode me explicar o que esta acontecendo aqui?<o encarei, eu estava sentindo tudo rodar ao meu redor>

-Clara, eu não tenho mais nada a te explicar...

-O que esta acontecendo aqui?<Luíza se aproximou>

-Mais uma?< a tal Rebeca encarou a minha irma>... Voces não se cansam de importunar o meu marido, quando ele mais precisou, nenhuma de vocês estavam la, e agora e isso, estão sempre rodeando ele...

-Espera, espera, espera ai!... Voçe disse marido?<ela me olhou>... Ela disse marido?

-Eu não estou acreditando!<eu disse baixo, estava perplexa>

-O que e tão difícil de entender para voçe?... O Henrique, e praticamente casado comigo...

-Chega Rebeca!... Faça o que eu mandei, leve a Laura daqui...

-Pelo o que estou entendendo, vocês estão juntos a bastante tempo...

-Sete anos querida, sete anos, não e sete horas, não e sete dias, e nem sete meses, este homem e meu!<bateu no peito com propriedade>

-Me segura antes que eu arrebente a cara desta vagabunda!<a Luíza respirou fundo>

-Não, pelo que vejo ela não tem culpa!<olhei diretamente para ele>... Quem tem culpa, e este filhos da...<sorri me contendo em respeito as crianças>... Eduardo, meu filho, vai comer o seu lanche, não quero que voçe ouça o que eu tenho para falar para o seu pai!

-Eu ja entendi tudo mãe, o meu pai tem outra família a muito tempo, e estava enganando a senhora!<olhei para o meu filho, e ele estava com os olhos vermelhos, a dor dele refletia em mim>

-Vou fazer melhor, não vou me rebaixar ao seu nível seu desgraçado de merda...

-Ei, a minha filha sua boca suja...

-Tape os ouvidos dela se quiser!... Eu vou ter a minha conversa com voçe depois!<simplesmente dei as costas>

-Não, eu vou falar com voçe, agora!<segurou em meu braço>

-ME LARGA!... Se voçe não quiser um escândalo aqui!

Ele me largou, e eu dei as costas. Pedi que cancelassem o pedido, que por sorte ainda não estava sendo feito devido a quantidade de pessoas no local, e seguimos para o estacionamento. O meu corpo inteiro tremia, a minha garganta estava seca, o meu coração estava acelerado. Ele tinha outra família, outra mulher, uma filha. O filho da puta me traiu por anos seguidos, ele se fez de bom moço, e ainda se achou no direito de me agredir quando soube da minha traição.

-Desgraçado!
Murmurei assim que chegamos no carro sentindo as lagrimas arderem os meus olhos, eu estava me sentindo uma idiota, burra, imbecil, como eu não notei, como eu amei este filho da pota por tanto tempo. Eu queria gritar, chorar, bater nele com mais força e intensidade que ele bateu em mim.
A Luíza, abriu o carro e o Edu, entrou no banco de trás, e antes que pudéssemos nos acomodar no carro, ouvi o meu nome em alto, e bom som.

-Eu quero falar com voçe, aqui, e agora!<disse cheio de autoridade ao se aproximar>

-O que voçe quer falar comigo?... Agora voçe vai me bater por ter descoberto a sua trairagem seu filho de uma puta?<olhei para a mulher e ela também colocou a menina dentro do carro, o meu carro>

-O sujo, falando do mal lavado...

-NÃO TENTE ME COMPARAR COM VOCÊ SEU INFELIZ DE MERDA!... PELO QUE NOTEI, VOCÊ ESTA COM ESTA IDIOTA A MUITO TEMPO...

-IDIOTA NÃO SUA PIRANHA...

-CHEGA REBECA!

-PIRANHA EU?... EU PEDI O DIVORCIO A ELE SEMANA PASSADA SUA OTÁRIA, ELE ESTAVA COMIGO E COM VOCÊ AO MESMO TEMPO POR SETE ANOS!... A MESMA BOSTA DE SETE ANOS, QUE VOCÊ BATEU NO PEITO COM ORGULHO SUA BURRA!

-DO QUE ELA ESTA FALANDO HENRIQUE, COMO ASSIM ELA PEDIU O DIVORCIO NA SEMANA PASSADA?

-Rebeca entra no carro!

-ENTRAR PORRA NENHUMA, EU VOU E ENTRAR COM A MÃO NA SUA CARA, SE NÃO ME EXPLICAR ESTA PORRA TODA!


-NÃO ANTES DE MIM QUERIDA!<simplesmente acertei a mão na cara dele>... ISSO E PARA DESCONTAR OS TAPAS QUE LEVEI CALADA POR PENSAR QUE ESTAVA ERRADA EM TER TE TRAÍDO SEU MERDA!

-COVARDE, INFELIZ!<a Luíza gritou ao meu lado>... EU SEMPRE SONHEI EM DAR NA SUA CARA SEU PILANTRA, MAS QUEM TEM QUE SENTIR O GOSTINHO HOJE, E A CLARA!

-EU NÃO SEI ONDE ESTAVA COM A MINHA CABEÇA QUANDO NÃO DESCONFIEI DAS SUAS SAÍDAS, E DOS DIAS EM QUE FICOU FORA DE CASA COM A DESCULPA DE ESTAR NO SERVIÇO!... COMO AS VEZES QUE CHEGAVA CANSADO DIZENDO QUE TRABALHOU DEMAIS!... EU TENHO NOJO DE VOCÊ, PARA MIM VOCÊ E UM LIXO, MENOS QUE ISSO ATE!

-EU NÃO VOU ACEITAR QUE MULHER NENHUMA DE NA MINHA MARIA CLARA, VOCÊ SABE DISSO...

-NÃO SEJA POR ISSO!<acertei uma joelhada entre as suas pernas, e somente apreciei o seu urro de dor, e ele se ajoelhar no chão>... ISSO NÃO E NADA HENRIQUE, A MARIA CLARA QUE VOCÊ CONHECEU A 15 ANOS MORREU!...  Se prepara, isso e só a ponta do iceberg, eu vou transformar a sua vida em um inferno, voçe vai se arrepender por cada um dos sete anos em que voçe dormiu com esta ai, e depois deitou na minha cama!<apontei para o meu peito>

-Sua maldita!<respirou fundo>

-O único amaldiçoado aqui e voçe!... Vamos embora, estou com o estomago embrulhado Luíza!

-Não vai bater mais nele?<me encarou>

-Ele vai ter o que merece de outra forma!<entramos no carro>

-Voçe foi muito mole com ele Clara, porra!

-O meu filho, cabeçuda!... Vamos para a delegacia!

-Delegacia?

-Vai Luíza!

(...)

Na delegacia eu fiz um B.O referente a agressão em que sofri a uma semana atras, fiz questão de retirar a minha maquiagem, e que o delegado visse as marcas em meu rosto. Contei o por que não tinha ido antes, já que eu estava me sentindo culpada por pensar que eu tinha traído ele, sendo que ele era ate então, um bom marido.
Contei sobre o encontro em que tivemos a alguns minutos atras com riqueza de detalhes, e para a minha surpresa, -so para provar que a minha irmã não vale nada- ela fez questão de anexar um vídeo aos autos, um vídeo que ela tinha acabado de gravar no estacionamento do shopping.
Com o inquérito aberto, eu fiquei sabendo que não poderia viajar no dia seguinte, pois provavelmente eu teria que comparecer a delegacia novamente algumas vezes esta semana. Depois de marcar o exame do corpo de delito, eu fui liberada.
Eu estava tão irada quando sai da delegacia, que seria capaz de cometer uma loucura.
O meu coração estava apertado, já era difícil saber que estava sendo traída, ainda mais durante sete anos, e que esta traição tem frutos, uma menina.
A minha cabeça estava trabalhando aceleradamente para bolar algo que o machucasse, que provocasse nele os piores sentimentos possíveis, na realidade, eu queria, e precisava deixa-lo na merda, assim como ele me deixou. Mas primeiro, eu precisava avisar ao Greg, ou ao Bruno, que eu não poderia mais ir no dia seguinte.
Assim que chegamos em casa, eu segui direto para o quarto enquanto, a Luíza, procurava algum lugar para pedir lanche, já que acabamos não comendo nada na rua, e eu fui direto refazer a minha maquiagem, afinal ainda não queria que ele me visse tão machucada, tentar uma chamada via Skype para o Greg, ou o Bruno.

Tentei o do Greg, mas chamou horrores, e ele não atendeu, tentei mais algumas vezes, mas nada aconteceu, por isso, tive que apelar para a minha segunda opção, Bruno. Arrumei o meu cabelo de forma que escondesse o restante dos hematomas que não tinha coberto bem, e fiz a chamada. Não sei se ele me atenderia, já que possivelmente ainda estaria com raiva, mas eu precisava avisar que não poderia ir no dia marcado, e depois de apenas míseros quatro toques, a chamada foi atendida. (?)

-Clara, tudo bem?<era o Greg. Esta explicado>

-Ola Greg, te liguei algumas vezes!

-Desculpa minha querida, estamos todos aqui na casa do Bruno!<foi só ele falar para que o Bruno, aparecesse ao fundo, olhando diretamente para o Skype, ele estava sorrindo, mas quando me viu fechou a sua expressão. Parece que ele ainda esta com raiva>... O que aconteceu?<O Bruno, saiu do foco da câmera>

-Eu so queria pedir permissão ao nosso chefe para ficar mais uma semana no Brasil, e que eu preciso resolver alguns problemas pessoais!

-Esta tudo bem?<pareceu preocupado>

-Esta!<forcei um sorriso>

-Tem certeza?

-Tenho!

-Bruno?<olhou para o outro lado, provavelmente para ele>

-Esta tudo bem!... So espero que ela volte para cumprir o contrato, não quero ser rude, mas se ela não voltar terei que processa-la!<disse em tom de indiferença, uma indiferença que bateu dolorida>

-Bruno, a Clara, esta...

-Greg!<o repreendi>... Pode deixar, eu vou voltar sim, jamais deixaria este contrato de mão!... Ainda mais agora!<baixei a cabeça>

-Clara!<soou como um lamento>

-Preciso ir!... Obrigada pela compreensão, Bruno!<o agradeci mesmo não o vendo>

-Ta!<sorri sem vontade ao ouvir a sua vez em total desinteresse>

-Preciso ir, depois nos falamos!

-Tudo bem, beijo Clara!

-Beijo!

Desliguei o notebook me sentindo esgotada, completamente triste, vulnerável, e desolada. Estava triste por mim que sem saber estava casada com um desgraçado de merda, pelo meu filho que tinha um pai que não era um bom exemplo de homem, e pelo Bruno, sei que ele esta triste comigo, e sinto que a minha volta para Los Angeles, não sera nada fácil.


2 comentários:

  1. Bapho, nuss eu tinha razão, 7 anos?, eita agora quem é o besta da história ?

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    1. EEEEE viu so, ele e que foi o esperto, conseguiu engana-la por todo este tempo!
      Obrigada por ler e comentar!

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