Parte
Bruno
Como
eu esperava, ela havia respondido o e-mail, e isso me deixou bem contente,
porem, não foi muito
bem o que eu imaginava.
O
Greg disse que teve uma troca de e-mails com ela durante uma noite, e que ela não estava acreditando que eu estaria
por trás destes contatos, e que ela não
aceitou a proposta por que era casada, tinha um filho, e por causa disso não poderia ficar tanto tempo longe da família, alem de ter achado que era
mentira. Confesso que fiquei triste com esta possibilidade, e como
provavelmente não
teria nenhum êxito, eu
resolvi deixar de mão.
(...)
Dois
meses e meio haviam
se passado, estávamos
no inicio de maio, eu estava empenhado em terminar os últimos ajustes para o inicio da turnê, e consecutivamente, a procura de uma
pessoa para fazer este bendito manuscrito, porem, de todas as pessoas em que
tinha conversado a respeito, ou tido algum contado ate agora, não tinha conseguido me sentir a
vontade, e definitivamente nenhuma delas me agradou. Por mais que eu tivesse
tentado, eu não tinha
conseguido esquecer da então, e agora senhora, M.C. Peçanha.
Era
algo de diferente em suas palavras, tinha uma delicadeza na sua escrita, e algo
muito diferente na sua forma de mexer com os sentimentos, e alem do mais, ela
era casada, e isso me deixaria em uma posição mais tranquila quanto a Hether. Se bem que, mesmo
que ela não fosse, isso
não me impediria
de nada, por que não
levo em conta a opinião
da Hether.
Mesmo
tendo pensado em varias formas e maneiras de encontrar alguém, sem que algo explodisse na mídia, eu só pensava nela, tinha que ser
ela, e eu coloquei na minha cabeça
que se ela não aceitasse,
eu iria desistir deste negocio de livro no final da turnê. Mas, como eu não sou de desistir fácil, eu iria ter o meu livro. Ah, eu
iria te-lo.
Chamei
o Greg para vir na minha casa em um dia de domingo, eu precisava entrar em
contato com ela novamente, de uma forma ou de outra, eu precisava convence-la do
contrario, ela teve mais de dois meses para ter a possibilidade de pensar nisso
novamente, não e possível que a sua opinião
não tenha mudado
nem um pouco.
Eu
estava na cozinha preparando algo para comer, eu estava sozinho, pois hoje era
o dia de folga da Viviem, mas ate que eu me virava bem na cozinha, não dava para morrer de fome. Se bem que uma vez
tive uma infecção intestinal,
mas isso não vem ao caso.
Ouvi
o interfone tocar, atendi, e era o espanhol com cara de asiático. Greg era filho de pai espanhol
com mãe asiática. Tadinha sempre que penso assim
sinto pena da mãe
dele. Enfim, ele era um cara maneiro, e isso era o que importava.
-Rápido ai o anão de jardim, esta chovendo demais!<disse
assim que atendi o interfone>
-Só por causa do abuso vai ficar ai fora!<sorri, implicar com ele era um dos meus passatempos favoritos, claro, alem de me divertir a noite inteira com uma mulher bem gostosa na cama>
-Bruno
eu vim de taxi, o meu carro esta na revisão, estou ficando ensopado, abre esta
porra!
-Nossa
que delicadeza!<sorri ao liberar o portão>
Sai
da cozinha com um prato de comida japonesa da noite anterior na mão, e uma lata de refrigerante na
outra, coloquei tudo na mesa de centro e abri a porta da frente vendo ele vir
correndo em minha direção, estava completamente encharcado, foi impossível
não gargalhar ao
ve-lo completamente molhado e tremendo de frio.
-Isso,
ri mesmo, se eu pegar uma gripe, eu não
vou trabalhar!... E você
ainda terá que pagar os
dias em que eu ficarei em casa!<disse desdenhoso>
-Já disse que você e bem inconveniente as vezes?
-Já!<sorriu>
-Vai
logo la pra cima, voçe
conhece a casa, não
preciso dizer onde fica as coisas!<lhe dei passagem>... So não mexe nas minhas cuecas sua bixa
tarada!
-Desculpa,
mas você não faz o meu tipo, eu curto um pouco
mais de volume aqui!<apontou para o próprio peito>... E aqui!<apontou
para a bunda>... E por isso que amo a Rachel!
-Sei que voçe ama, mas ela não!<disse extremamente baixo>...Vai
logo se trocar, temos assuntos importantes a tratar!
-Por
que você não chamou o Ryan?
-Por
que ele não sabe falar
espanhol!
-Mas
já arrumou uma
latina para hoje!
-Pela
primeira vez você
esta errado meu caro!... Vai logo se trocar porra!
Me
sentei e fiquei a espera de que ele voltasse logo, e enquanto isso, eu apreciava o meu almoço/jantar. Uns quinze minutos depois
ele apareceu com as roupas molhadas em mãos, com uma calça de moletom, e uma camisa do Guns,
claro minhas roupas, seguindo para a lavanderia em seguida.
Eu estava distraído com um jogo dos dodgers, e nem lhe
dei muita bola, sinceramente o jogo mais interessante. Alguns minutos depois ele voltou, sentou ao meu lado de frente
para a TV, e olhou para o mesmo ponto que eu, o
jogo.
-E
ai, o que a majestade deseja deste humilde cervo?<disse debochado nos
fazendo sorrir>
-Eu
preciso dela!
-Dela?<me encarou>
-Você sabe de quem!<o olhei>
-Da
M.C. Peçanha?
-Isso
mesmo!
-Mas
você não esqueceu esta mulher ainda?
-Sim,
eu li!<sorrimos parecíamos
duas comadres comentando sobre o ultimo capitulo da novela>... Mas parece
que o seu interesse nela e outro!... Ela e casada cara, tem filho, desiste...
-E quem esta falando nestes
termos?... Eu quero muito este livro, você tem estado comigo,
e sabe que ninguém tem o necessário para escrevê-lo, ao menos
dos que falamos ate agora!... Já ela, eu me encantei pela
escrita dela, mesmo sem conhecê-la!
-Ela não acredita que
eu trabalhe para você!
-Mande um novo e-mail para ela,
você
tem conta no Skype não tem?
-Tenho claro!
-Provavelmente ela também tenha, eu
quero falar com ela!
-Tem certeza disso?
-Absoluta!
-Tudo bem!<disse pegando o
meu notebook quase intocado, que estava em cima da mesa de centro>... Diz o
que você
deseja falar para ela!
-Coloque assim...
“Querida M.C.Peçanha
Não adiantou, eu pensei em vários
escritores, olhei varias historias, e revi vários conceitos, mas infelizmente tudo me leva novamente ate você.
Durante estes dois mêses,
eu reli a sua historia, e pensei bastante no que você pensou quando a finalizou, confesso que pensei que seria um final
feliz, mas para a minha surpresa não foi tão feliz assim. Estou intrigado com a sua forma de escrever, a sua inspiração, e decidi que não farei nenhum livro se ele for escrito por você.
Eu sei, e pretensioso da minha parte, mas eu sou assim, e acho que você me conhece bem, e sabe que esta e minha personalidade, eu não desisto enquanto não tenho o que desejo.
Estou disposto a quebrar um paradigma, e conversar com você por Skype, se caso aceite, estou ao lado do Greg neste momento, espero que leia esta mensagem a tempo, se não aguardo um dia propicio para isso. Mas infelizmente eu preciso acertar tudo com você o mais breve possível, afinal em poucos dias entro em turnê.
Atenciosamente Bruno Mars.”
-Tomara que desta vez ela
aceite, e acredite em nos!
-Ela vai, eu só queria que
ela me respondesse logo!
-Não sei, faz
mais de dois meses e meio desde o ultimo contato, e se ela trocou de e-mail?
-Não, tomara que
não!...
Mas e ai como estão as coisas
para o primeiro show em Washington?
-Como você pediu, as mil
maravilhas, e não so para Washington, para os
outros países
também!
-Sinto que esta será uma puta turnê!... To
ansioso pra caralho!
-Eu também, nossa nunca
trabalhei tanto na minha vida!
-E se prepare para trabalhar mais,
por que e você
que vai cuidar dela!<apontei para o notebook>
-Ta de sacanagem, agora serei
baba de marmanja também?
-Sim!
-Olha ela respondeu!<disse
olhando para a tela>
-Eu sabia!<sorri>... O que
ela disse?
-Esta tudo bem, eu aceito a sua
proposta!
-Ela aceitou?<perguntei
surpreso>
-Sim, olha!
“Senhor Bruno Mars”
Estou disposta a
aceitar a sua proposta, estou passando por uns problemas pessoais, e ela me e
muito bem vinda agora, preciso ajudar a minha família, e acho que agora estou no melhor momento para aceita-la. Ainda
estou temerosa, mas como diz a minha mãe. “Quem não arrisca não petisca” portanto, como eu faço
para acertar a nossa possível
conversa?
Atenciosamente Maria Clara Peçanha.”
-Maria
Clara Peçanha!... Nome
lindo!
-Estou confuso!<disse
olhando para a tela>
-Com o que, ela aceitou!
-Sim, mas assim tão fácil?
-Não reclama!... O que você
quer que eu responda a ela?
-Mande a ela uma copia do
contrato, e se ela gostar, você começa a negociar a
vinda dela para Los Angeles!
-Mas já?... Ainda
falta mais de um mês para a turnê!
-Mas e se ela não tiver visto
ou passaporte, precisa de mais ou menos um mês para tirar
tudo isso, já
estamos no dia 10 de maio, ate ela conseguir tudo será mais ou menos
15 de junho, e eu pretendo estar em Washington dia 21!
-Tudo bem, acho que tem anexado
aqui no seu notebook uma copia do contrato!
Confesso que ao mesmo tempo em
que fiquei eufórico
com a sua resposta positiva, eu estava confuso com a rapidez de como ela se
resolveu depois de tanto tempo, e qual era este problema pessoal no qual ela se
referiu?
Decidi ficar na minha com os meus pensamentos, e fingi prestar atenção no jogo que
ainda passava na TV, enquanto o Greg ainda trocava e-mails com ela.
Me levantei
fui ate a cozinha, peguei uma cerveja, olhei pela porta dos fundos ,e a chuva
esta intensa, recostei na soleira da mesma e fiquei a observando por um tempo,
e a chuva era tão forte que parecia que o céu estava
chorando, parecia que as coisas estavam prestes a mudar de alguma forma.
Respirei fundo, e tentei focar no meu trabalho, precisava ficar mais tranquilo,
agora eu teria o meu livro.
-Ela disse que vai ler, e assim
que avaliar me manda uma resposta!
-Por
que será que ela
aceitou assim de cara depois de tanto tempo, e de tanta recusa anterior?
-Eu
não sei, mas ao
menos ela aceitou ler o contrato!
-E um bom contrato, eu sei que
ela vai aceitar!... Ela terá mais de tres mil dólares mensais
para despesas pessoais enquanto estiver aqui, ao final da turnê terá um bom valor
pelo livro, e ainda terá 5% na venda total dos livros,
ela precisa aceitar!... E se ela realmente estiver precisando, sinto que esta
resposta não
vai demorar muito para aparecer!
-Também acho!
Parte Maria Clara
Nos últimos dois
meses e meio a minha vida decidiu que estava cansada de ser boazinha comigo, e
para começar,
eu perdi o emprego, a firma faliu e simplesmente despediu todos.
O Henrique sofreu um acidente
de carro, e ficou por mais de um mês de cama, e so agora que esta
voltando aos poucos, mas ainda esta complicado, a nossa relação deu uma
esfriada. No caso, esfriou ainda mais, e ele não e mais como antes, esta se
sentindo inferior, e isso esta respondendo no nosso relacionamento.
As contas estão chegando, e
eu não
sei mais como, e nem de onde tirar dinheiro para paga-las, afinal ele ficou
parado, e acabou não recebendo nos últimos meses,
não
a quantia que éramos
acostumados, e como eu não estava mais trabalhando ficou
complicado para pagar
tudo, pensamos ate na possibilidade de vender o carro que ficou inteiro, mas
isso ficou fora de questão, pois ele era o único meio de transporte
para levar o Henrique na fisioterapia.
Eu estava triste, e desolada,
pensando seriamente em dar um tempo de tudo, mas a única pessoa
que vinha na minha cabeça era o meu filho, e claro
nestas horas eu recorria ao meu melhor amigo, mesmo que ele não saiba disso,
o Bruno, sempre esteve ao meu lado nos momentos mais difíceis com a sua
musica, sempre me colocou para sima, e pode parecer estranho, mas meia hora
ouvindo a sua musica, e a sua bela voz, já me fazia um
bem enorme.
Por
falar nele, quando eu menos esperei e mais precisava, recebi um novo e-mail do
tal cara que dizia trabalhar para ele, mas desta vez se dizendo ser o próprio. Eu não me deslumbrei, não estava com cabeça para isso, e se a um mês atrás eu estava relutante, hoje eu estou
completamente aberta a pensar no assunto, ou ate mesmo a aceitar, mesmo
correndo algum tipo de risco, eu estava fazendo isso pelo meu filho, e ao mesmo
tempo que eu tinha muito a perder, eu tinha a ganhar.
Quando
recebi uma copia do contrato, eu vi ali a esperança de que ao menos uma boa parte dos
meus problemas fossem resolvidos, era um bom contrato, isso eu não tinha como reclamar. A única coisa que ainda me deixava
relutante era o fato de que eu iria ter que deixar o meu filho aqui, o meu
marido, a minha família,
mas quando eu retornasse, a nossa vida iria mudar de qualquer forma, ou se eu não voltasse, ao menos eu teria tentado.
Fiquei uma semana com a copia do contrato, eu o li no mínimo três vezes ao dia, só para ter certeza que era aquilo mesmo
que eu iria fazer, que era esta a decisão que eu iria tomar. E agora só faltava a pior parte, contar ao
Henrique, mas antes eu iria responde-los positivamente.
“Caro senhor Gregory
Após ler, reler, e ler novamente a copia do contrato, eu resolvi
aceita-lo, eu vou trabalhar sim com vocês, aceito de bom grado todas as propostas que me foram feitas. Antes
que me perguntem, eu tenho passaporte, e tenho visto com validade demais 5 anos,
pois a algum tempo atrás eu
fui ate Las Vegas com o meu marido, e por este motivo eu tenho a minha
documentação em dia.
Espero receber uma
posição em breve do senhor, obrigada pela oportunidade, e espero atender a
todas as expectativas.
Atenciosamente Maria
Clara.”
A conversa com o Henrique não foi fácil, ele não queria aceitar
de jeito nenhum, arrumou vários pretextos para que eu não aceitasse, e
quando descobriu que eu já tinha aceitado, já tinha dado a
minha palavra, ele ficou furioso, chegou a me fazer escolher entre ele e o
serviço,
mas logo voltou atrás quando viu que a escolha
seria o serviço.
Neste momento eu não estava
pensando só
na gente, estava pensando no Edu, no nosso filho, e seria pior para mim, pois
seria eu que ficaria mais de um ano longe dele, seria eu que iria sofrer com a
sua ausência.
No final das contas, ele não viu muito para onde correr a
não
ser acabar aceitando.
O próximo passo foi falar com o Edu,
e com ele foi mais fácil, afinal ele só me pediu para mandar um vídeo game para ele no dia do seu
aniversario, que seria em agosto. Com os
pontos mais importantes resolvidos, agora era so esperar a resposta da parte
deles.
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